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"Nobel alternativo" distingue movimento civil sírio e jornal independente turco

​Um movimento civil sírio, duas defensoras dos direitos humanos, do Egito e da Rússia, e um jornal independente turco foram hoje distinguidos, em Estocolmo, com o prémio "Right Livelihood" 2016, conhecido como "Nobel Alternativo".

"Os premiados deste ano confrontam-se diariamente com alguns dos mais prementes problemas mundiais - a guerra, a liberdade de expressão, os direitos das mulheres ou a situação dos migrantes", afirmou o diretor-executivo da fundação Right Livelihood, Ole von Uexhull, na cerimónia de apresentação dos vencedores, em Estocolmo.

"Com o prémio 2016, destacamos a sua coragem, compaixão e compromisso, e celebramos também o êxito do seu trabalho, contra todos os obstáculos e a verdadeira diferença que fazem atualmente no mundo", sublinhou.

O grupo Defesa Civil Síria é composto por três mil voluntários de várias comunidades sírias, homens e mulheres, com a missão de retirar pessoas presas sob os escombros de edifícios destruídos na guerra civil.

Conhecidos como "Capacetes Brancos", padeiros, alfaiates, comerciantes ou professores tornaram-se bombeiros e socorristas responsáveis pelo salvamento de cerca de 60 mil vidas, de acordo com a fundação Right Livelihood, que atribuiu pela primeira vez um prémio a uma organização síria "pela bravura, compaixão e compromisso humanitário no socorro de civis atingidos pela destruição da guerra civil na Síria".

A egípcia Mozn Hassan e a organização que fundou em 2007, a Nazra para Estudos Femininos, foram distinguidas "por reclamar a igualdade e direitos das mulheres em circunstâncias em que estão sujeitas a violência, abusos e discriminação constantes", afirmou Uexhull.

A organização de Mozn Hassan documentou casos de violações dos direitos humanos e coordenou a resposta aos numerosos casos de ataques sexuais contra mulheres que participavam nas manifestações durante e após a revolta no Egito em 2011, garantindo que as sobreviventes recebiam cuidados médicos e acompanhamento psicológico e legal, indicou a fundação.

Svetlana Gannushkina, da Rússia, foi escolhida "pelas décadas de empenho na promoção dos direitos humanos e da justiça para refugiados e migrantes forçados e pela defesa da tolerância entre diferentes grupos étnicos".

Através da organização que fundou e dirige - Comissão de Assistência Cívica -, Svetlana Gannushkina garantiu acompanhamento legal gratuito, ajuda humanitária e educação a mais de 50 mil migrantes, refugiados e deslocados desde 1990.

O trabalho da ativista nos tribunais russos e no Tribunal Europeu de Direitos Humanos impediu a repatriação forçada de migrantes da Rússia para países na Ásia Central, onde podiam ser detidos e torturados.

Como membro do Conselho Presidencial de Direitos Humanos russo de 2002 a 2012, Gannushkina defendeu a reforma da lei sobre refugiados, o que permitiu que mais de dois milhões de pessoas obtivessem a cidadania russa.

O quarto laureado é um dos mais destacados jornais independentes na Turquia, o Cumhuriyet, distinguido "pelo compromisso com a liberdade de expressão perante a opressão, censura, detenção e ameaças de morte", declarou Uexhull.

O jornal, fundado em 1924, prova "numa altura em que a liberdade de expressão na Turquia está ameaçada" que a "voz da democracia não será silenciada", de acordo com a fundação.

Os prémios "Right Livelihood" (modo de vida correto), mais conhecidos como "Nobel Alternativo", foram criados em 1980 para "honrar e apoiar homens e mulheres que oferecem respostas práticas e exemplares aos desafios mais urgentes e atuais".

Este ano, foram analisadas 125 nomeações de 50 países, por um júri internacional. Até agora, a fundação distinguiu 166 laureados de 68 países.

Os vencedores vão partilhar um prémio de três milhões de coroas suecas (315 mil euros), que será aplicado no trabalho que estão a desenvolver.

A cerimónia de entrega dos prémios vai decorrer em dezembro na capital sueca.

Lusa

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