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Papa pede que jornalismo não se transforme em "arma de destruição"

O Papa Francisco afirmou esta quinta-feira que "o jornalismo não se pode transformar numa arma de destruição de pessoas ou povos, ou alimentar medos", numa reunião com a associação de jornalistas italianos, no Vaticano.

O Papa argentino pede que "o jornalismo seja um instrumento de construção, um factor de bem comum e um acelerador de processos de reconciliação" e afirma que "o jornalista tem um papel de grande importância e ao mesmo tempo de grande responsabilidade", uma vez que "de alguma forma escreve o primeiro esboço da História".

Os jornalistas que desempenham o seu trabalho "com profissionalismo continuam a ser um elemento fundamental para a vitalidade de uma sociedade livre e pluralista", considerou.

"Amar a verdade, viver com profissionalismo, o que vai além das leis e das normas, e respeitar a dignidade humana, o que é mais difícil do que se possa pensar à primeira vista", são para o Papa os três pilares sobre os quais se deve apoiar a profissão.

Sobre a procura da verdade, Francisco deu o exemplo da política e de muitos conflitos "rodeados de dinâmicas pouco claras, o que dificulta chegar à verdade".

"O verdadeiro trabalho ou a missão do jornalista é chegar o mais próximo possível da verdade dos factos e não dizer ou escrever coisdas que se sabe não serem verdade", afirmou.

O profissionalismo dos jornalistas assenta "na necessidade de não se submeter às lógicas dos interesses de partes, sejam eles económicos ou políticos", explicou.

Ao longo da História, "as ditaduras, de qualquer orientação e cor, tentaram apropriar-se não só dos meios de comunicação, como também impor novas regras à profissão de jornalista", disse o Papa, sublinhando que "a vocação do jornalista tem de ser fazer crescer a dimensão social do Homem e favorecer a construção de uma verdadeira cidadania".

O chefe da Igreja Católica advertiu os jornalistas de que "um artigo hoje publicado, embora amanhã seja substituído por outro" pode "destruir para sempre ou difamar injustamente" a vida de uma pessoa.

"A crítica é legítima, assim como a denúncia do mal, mas sempre com respeito pelos outros, a sua vida e os seus entes queridos", acrescentou.

No final da sua intervenção, Francisco pediu aos jornalistas para se lembrarem sempre de que "qualquer conflito pode ser resolvido com homens e mulheres de boa vontade".

Com Lusa

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