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Gatos partiram à conquista do mundo com os vikings

Ericeira, Portugal

Francisco Seco / AP

Milhares de anos antes de conquistarem a Internet, os gatos percorreram o mundo por terra e e por mar, à boleia de antigos agricultores, marinheiros e até dos vikings. É a conclusão do primeiro estudo em grande escala ao genoma do gato.

O estudo apresenta os resultados da sequenciação do ADN de 209 gatos que viveram entre 15 mil anos e 3700 anos atrás - desde o advento da agricultura até ao século XVIII d.C..

Encontrados em mais de 300 sítios arqueológicos na Europa, Médio Oriente e África, estes felinos têm ajudado os investigadores a juntar as peças do puzzle da domesticação do gato, uma história sobre a qual se sabe muito pouco.

"Não sabemos a história dos gatos antigos. Não sabemos a sua origem, não sabemos como ocorreu a sua dispersão" pelo planeta, disse à revista Nature uma das autoras do estudo, Eva-Maria Geigl especialista em genética da evolução do Instituto Jacques Monod em França.

Uma sepultura de seres humanos com 9500 anos, no Chipre, continha também restos mortais de um gato, o que sugere que a ligação entre homens e felino data pelo menos do advento da agricultura. Os antigos egípcios terão domesticado o gato há 6 mil anos e, nas últimas dinastias, mumificaram cerca de um milhão. Foram ainda descobertos e analisados os esqueletos de gatos encontrados numa antiga povoação viking na Alemanha.

Gato mumificado do Antigo Egito

Gato mumificado do Antigo Egito

Natural History Museum, London

Os cientistas concluem que terão sido dois os movimentos de dispersão felina: no primeiro, os gatos espalharam-se do Médio Oriente até ao Mediterrâneo com os agricultores. No segundo, que começou no Egito, os gatos viajaram por África e pela Europa.

Os cientistas concluem que terão sido dois os movimentos de dispersão felina: no primeiro, os gatos espalharam-se do Médio Oriente até ao Mediterrâneo com os agricultores. Milhares de anos depois, a partir do Egito, os gatos viajaram por África e pela Europa - foi encontrada uma linhagem de ADN mitocondrial (herdado apenas por via materna) comum entre gatos mumificados do Egito e gatos na Bulgária, Turquia e África subsariana.

Num segundo movimento, os gatos viajaram à boleia dos marinheiros de terras longínquas, entre eles os vikings. O mesmo ADN materno foi encontrado nos restos mortais de gatos na povoação viking no norte da Alemanha, que data entre o século VIII e o século XI d.C.

O estudo foi apresentado numa conferência de arqueologia em Oxford. Ainda está numa primeira fase pelo que análises mais aprofundadas poderão trazer novos dados e ainda terá de ser validado pelos pares, como é costume na comunidade científica.

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