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Carlos Moedas afasta ideia de criação de um exército europeu

O comissário europeu Carlos Moedas afastou esta terça-feira a ideia da criação de um exército europeu, adiantando que a Comissão Europeia está a estudar um "quartel-general" para coordenar forças militares e troca de informação na União Europeia.

"O Presidente [da Comissão Europeia, Jean-Claude] Juncker lançou um desafio sobre esta ideia de ter quartel-general único na Europa para as operações militares na União Europeia, não para substituir nenhum tipo de força militar, mas para ter aqui uma organização e uma coordenação conjunta de todas as forças militares europeias", afirmou hoje o comissário para a Investigação, Ciência e Inovação, numa audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

Carlos Moedas esclareceu que o objetivo não é criar um "exército comum", mas garantir uma "coordenação dos exércitos de cada país", afastando também a possibilidade de ingerência.

"A ideia não é ingerência, mas partilha de informação. É essencial para termos uma melhor defesa", referiu o comissário europeu, que indicou que a partilha de informação não tem sido feita de forma correta e que a falta de cooperação na defesa custa, à UE, atualmente mais de 25 mil milhões de euros por ano.

A proposta suscitou algumas reservas entre os deputados portugueses, com Miguel Morgado (PSD) a lembrar que alguns países europeus, "pela sua própria posição de neutralidade, nunca poderiam aderir "a um exército comum, enquanto a socialista Francisca Parreira considerou "pernicioso dar a ideia de que é um quartel-general e que pode haver ingerência das forças militares quanto à defesa das fronteiras", e a comunista Paula Santos condenou o que a Europa se centre em "aspetos militaristas".

Na audição de hoje no parlamento português, Carlos Moedas garantiu que a negociação do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês), entre a União Europeia e os Estados Unidos, prossegue, apesar de governantes franceses terem afirmado recentemente o contrário.

"Continuamos a negociar como sempre negociámos. Houve um mandato por unanimidade" nesse sentido, recordou Carlos Moedas.

Sobre as declarações de governantes franceses, o comissário afirmou que "há comentários de políticos que sabem que não têm nenhum efeito prático" e considerou tratar-se de um exemplo de "comentários políticos no mau sentido".

Antes, o deputado do CDS questionara o comissário europeu sobre o ponto de situação das negociações do TTIP, considerando que, em matéria de protecionismo, "o discurso da senhora (Marine) Le Pen [líder da Frente Nacional francesa] é igual ao da senhora Catarina Martins [coordenadora do Bloco de Esquerda".

Na sua intervenção inicial, Carlos Moedas referiu que o plano Juncker (como é conhecido o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos) já mobilizou, em projetos aprovados em Portugal, cerca de 1,6 mil milhões de euros.

No total, na Europa, já mobilizou 116 mil milhões de euros em 26 países.

"É um resultado importante para Portugal e para a Europa, porque sem investimento não vamos conseguir ultrapassar a crise", defendeu.

Lusa

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