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Conselho de segurança turco recomenda prolongamento do estado de emergência

O conselho nacional de segurança turco, dirigido pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, recomendou esta quarta-feira o prolongamento do estado de emergência, instaurado por três meses após a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho.

"Foi decidido recomendar o prolongamento do estado de emergência para garantir eficazmente a proteção da nossa democracia, do Estado de direito, bem como os direitos e as liberdades dos nossos cidadãos", indicou o conselho (MGK), em comunicado divulgado no final de uma reunião no palácio presidencial em Ancara.

O estado de emergência foi decretado a 20 de julho, o que significa que terminava em meados de outubro.

O comunicado não refere se esta medida também será limitada a um período de três meses.

Anteriormente, as autoridades turcas tinham anunciado que 32 mil pessoas foram detidas no âmbito de vastas purgas que visam alegados apoiantes do religioso Fethullah Gulen, acusado de instigar o golpe de Estado.

"A partir de 15 de julho, foram abertos inquéritos sobre cerca de 70 mil pessoas e cerca de 32 mil foram detidas", indicou o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag.

"Ainda se poderão verificar mais detenções", advertiu Bozdag, na cadeia de televisão NTV, precisando que "algumas pessoas detidas poderão ser libertadas, ficando sob controlo judiciário, e outras totalmente livres" sem que nenhuma acusação.

A dimensão das purgas obrigou o governo turco a libertar, este verão, 38 mil presos condenados para dar lugar aos novos detidos.

De acordo com informações da imprensa turca, as autoridades preveem construir 174 novos estabelecimentos prisionais nos próximos cinco anos para aumentar a capacidade em 100 mil lugares.

As medidas tomadas na sequência da tentativa de golpe de Estado visam eliminar a alegada influência dos apoiantes de Fethullah Gulen. Universidades, escolas, forças armadas, polícia, magistratura e desportistas foram atingidos por estes procedimentos inéditos.

A justiça acusa os suspeitos de ligações com Gulen, que Ancara afirma ter organizado a tentativa de golpe de Estado, na qual morreram mais de 270 pessoas e milhares ficaram feridas.

Fethullah Gulen, inimigo "número um" do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, negou qualquer implicação na tentativa de golpe de Estado. Ancara exige com insistência a extradição de Gulen dos Estados Unidos, onde reside.

Além dos alegados apoiantes de Gulen, as purgas visaram também meios suspeitos de ligações com os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, considerado por Ancara como uma organização terrorista).

O líder do partido da oposição social-democrata, Kemal Kilicdaroglu, considerou que estas purgas e o estado de emergência vitimam um milhão de turcos.

Lusa

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