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Português raptado em Luanda fala dos momentos de terror que viveu

O português que esteve mais de três dias raptado em Luanda, sob ameaça de morte e com um pedido de pagamento de um resgate de três milhões de dólares, contou momentos de terror que viveu durante o cativeiro.

Os testemunhos surgem em imagens recolhidas pela Polícia Nacional, cedidas hoje à agência Lusa e recolhidas na casa nos arredores de Luanda onde o português e um cabo-verdiano estiveram vários dias fechados, num quarto escuro, mas também dos momentos seguintes à libertação, com o próprio ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares, a reconfortar as vítimas.

"Pensei que me estava a despedir da vida quando ouço os primeiros impactos da polícia. Conseguia ver pelo buraco pela fechadura e ouvi o estrondo da polícia a entrar. Senti uma tranquilidade tremenda quando vejo o colete da polícia e leio as letras da DNIC [Direção Nacional de Investigação Criminal], senti que estava salvo. É aquilo que tenho mais presente", conta, nas imagens, António Cruz, 50 anos e administrador, em Luanda, da empresa SIAP.

O português e o cabo-verdiano foram raptados na via pública no sul de Luanda, entre os dias 19 e 20 de setembro, por cinco elementos munidos de metralhadoras. Dois nigerianos e um da República Democrática do Congo foram detidos na operação especial lançada na sexta-feira passada pela Polícia Nacional, envolvendo várias unidades e que permitiu libertar as duas vítimas.

"Ameaçaram-me, pediram-me dinheiro. Diziam que alguém me tinha mandado matar e para me deixarem com vida tinha de dar três milhões de dólares. Não me agrediram muito, não foram muito agressivos do ponto de vista físico", disse o português, ainda nas declarações recolhidas e difundidas pela polícia.

Conta que esteve sempre fechado num quarto escuro e sob ameaça de metralhadoras AKM e recorda igualmente, emocionado, o "sentimento de vitória" dos elementos da polícia envolvidos na operação de extração que, sendo rara em Angola, foi também, segundo o comando, autorizada superiormente, tendo em conta os riscos envolvidos.

"Foi uma felicidade, senti a alegria dos policiais que concretizaram a operação de resgate com êxito", dizia António Cruz nas imagens da polícia, ainda combalido dos dias de cativeiro, enquanto o próprio ministro do Interior o conforta, pedindo confiança nas autoridades.

Este mesmo grupo de estrangeiros é suspeito de ter realizado outros cinco raptos em Luanda, também de estrangeiros, desde o início do ano.

Durante a operação, que segundo a polícia decorreu sem ter sido feito qualquer disparo além do arrombamento das portas e da surpresa provocada nos raptores, foram ainda apreendidas cinco metralhadoras AKM, 15 carregadores municiados e 10 milhões de kwanzas (54 mil euros) em dinheiro.

Lusa

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