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Turcos querem solução política para a Síria mas com Assad "fora da fotografia"

A transição política na Síria deverá ser concretizada com o afastamento do Presidente Assad e a União Europeia (UE) deve respeitar o acordo sobre migração com a Turquia, referiam em Ancara fontes diplomáticas a jornalistas de diversos países europeus.

"No processo de transição vemos Assad fora do processo. Deve existir uma abordagem baseada num consenso mútuo", sublinharam responsáveis do ministério dos Negócios Estrangeiros a uma comitiva de jornalistas de país do sul da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Grécia) que se deslocou a Ancara a convite da diretoria para os media, dependente do gabinete do primeiro-ministro.

"Da perspetiva turca, é óbvio que (o processo) não será tão risonho com Assad na fotografia", insistiram.

A Turquia desencadeou em 24 de agosto uma intervenção militar direta no norte da Síria, junto à fronteira comum entre os dois países, e pretende assumir uma função determinante num eventual processo de transição política, que voltou a complicar-se na sequência do falhanço do acordo de cessar-fogo entretanto anunciado por Moscovo e Washington.

"O regime sírio e seus apoiantes não querem uma solução política na Síria e continuam a apostar na via militar, como demonstra o exemplo de Aleppo", acusa Ancara pela voz dos seus decisores diplomáticos, numa referência ao recentes e sucessivos bombardeamentos às zonas controladas pelas forças rebeldes nesta cidade do norte da Síria.

"Utilizam todo o género de tática, no limite dos crimes de guerra, como se comprova no crescente número de vítimas em Aleppo. É um reflexo da tática do regime, a rendição ou morrer à fome", insistiram.

O Governo turco do Presidente Recep Tayyip Erdogan, ainda a recuperar das "feridas" não cicatrizadas do fracassado golpe de estado de 15 de julho - e que motivaram um novo "fervor nacionalista" expresso nas dezenas de bandeiras e esfinges do chefe de Estado, e do fundador da República Mustafa Kemal Ataturk, que se propagam pela vasta capital - está convencido que a solução política incluída no "acordo" Washington-Moscovo está ultrapassada, e considera que o "pretexto da intervenção da Rússia" que foi o ataque às organizações terroristas "apenas tem como objetivo manter o regime intacto".

Nesta perspetiva, sustentam que a intervenção da Rússia apenas tem por objetivo mantê-la numa "posição de igualdade" face aos EUA em termos geoestratégicos, como uma potência com a mesma influência.

"Quanto mais o conflito durar mais insatisfação haverá na Rússia, a continuação da sua presença no terreno poderá originar uma crise, e mesmo uma reação da população", prognosticam as mesmas fontes.

Pelo contrário, os responsáveis turcos assinalam que o seu envolvimento direto no terreno com a operação "Escudo de Eufrates" se destina a "limpar a nossa fronteira com a Síria de qualquer grupo terrorista, do Estado Islâmico (EI) ao PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, a guerrilha curda da Turquia)", insistindo assim em colocar num mesmo plano o grupo radical 'jihadista' e os rebeldes curdos da Turquia, para além das milícias curdas sírias as Unidades de Proteção do Povo (YPG).

"A operação está a correr bem, mas também há baixas do lado turco desde que se iniciou a operação. Mas existe e convicção de que terá um desfecho positivo", reconhecem.

Num contexto regional muito volátil, Ancara urge que seja reconhecido o falhanço de diversos "campos essenciais", como o colapso do cessar-fogo e das recentes movimentações políticas, para além do relativo colapso da entrega de ajuda humanitária.

Ainda numa referência à situação na fronteira turco-síria, os responsáveis diplomáticos de Ancara asseguram que o seu país "não tem problemas" com a presença curda no país vizinho - numa referência às instituições pré-autonómicas erguidas pelos curdos sírios -, por ser "uma situação que a eles diz respeito".

Mas avisam: "O YPG recebe ordens diretas do PKK (que Ancara define como organização terrorista), os seus comandantes militares e o seu armamento, vêm das regiões controladas pelo PKK. Mas descobrimos que armamento dos Estados Unidos destinado aos curdos sírios acabou por ser entregue ao PKK".

Uma reação que confirma o "desalento" de Ancara face ao apoio militar que Washington tem concedido aos curdos sírios, considerados a força mais eficaz para travar e rechaçar o EI destas regiões de fronteiras.

"Mas permanecemos na defesa da integridade territorial da Síria, um país unido politicamente e multicultural, oposto ao sectarismo", sintetizaram as fontes oficiais.

Lusa

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