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Erdogan insta UE a pronunciar-se sobre adesão da Turquia

O Presidente da Turquia pediu este sábado à União Europeia (UE) para que se pronuncie de forma clara a favor ou contra a adesão de Ancara, afirmando que o "jogo" chegou ao fim, durante um discurso no Parlamento turco.

"Chegámos ao fim do jogo", declarou Recep Tayyip Erdogan, por ocasião da reabertura dos trabalhos parlamentares.

"Não há qualquer obstáculo para que a Turquia se torne um país membro se a UE assim o desejar, estamos prontos", frisou o chefe de Estado turco, acrescentando que cabe aos Estados-membros decidirem se "querem continuar com ou sem a Turquia".

No mesmo discurso, Erdogan salientou que o processo se prolonga há várias décadas, incitando os Estados-membros do bloco comunitário a esclarecerem as suas intenções.

"O facto de seremos deixados na porta desde há 53 anos demonstra as suas intenções em relação a nós", declarou.

Apesar do processo de adesão à UE da Turquia ter sido iniciado na década de 1960, as negociações só foram formalmente iniciadas em 2005.

"A atitude da Europa é a de alguém que não quer honrar a sua promessa para com a Turquia", referiu ainda o líder turco.

A Turquia e a UE fecharam a 18 de março deste ano um acordo para o acolhimento de refugiados, protocolo que foi negociado para travar a vaga migratória através do mar Egeu.

O acordo prevê que todos os migrantes que tenham entrado ilegalmente na Grécia desde 20 de março sejam devolvidos ao território turco.

Em troca da cooperação da Turquia, os líderes da UE concordaram em acelerar a liberalização dos vistos para os visitantes turcos, relançar as negociações de adesão ao bloco comunitário e conceder uma ajuda financeira, que irá atingir até 2018 um total de seis mil milhões de euros, para melhorar as condições de vida dos milhões de sírios já refugiados naquele país.

No mesmo discurso no Parlamento, Erdogan, um aliado das autoridades de Riade, criticou fortemente a recente decisão do Congresso norte-americano de rejeitar o veto do Presidente Barack Obama sobre um projeto-lei que permite às vítimas dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001 processar a Arábia Saudita.

"A decisão do Congresso norte-americano de autorizar a abertura de processos contra a Arábia Saudita a propósito dos atentados do 11 de setembro é lamentável", defendeu o líder turco.

"É contra o princípio da responsabilidade criminal individual por crimes. Esperamos que este passo em falso seja revertido o mais rápido possível", acrescentou.

Na passada quarta-feira, as duas câmaras do Congresso norte-americano (Senado e Câmara dos Representantes) aprovaram a rejeição do veto presidencial.

Foi a primeira vez que o Congresso anulou um veto a Barack Obama, que deixa a Casa Branca em janeiro do próximo ano depois de cumprir dois mandatos de quatro anos.

Quinze dos 19 elementos envolvidos nos atentados de 2001 eram sauditas, mas o envolvimento da Arábia Saudita, um aliado dos Estados Unidos, nunca foi demonstrado.

Lusa

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