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Obama e DiCaprio apelam ao aumento dos esforços no combate às alterações climáticas

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o ator Leonardo DiCaprio destacaram na segunda-feira a urgência de se tomarem mais medidas na "corrida contra o tempo" que é a luta contra as alterações climáticas.

O ator levou a sua campanha ambiental à Casa Branca, durante uma conversa com Obama que começou com uma referência a políticos que se mostram céticos em relação às alterações climáticas, como Donald Trump, candidato à presidência dos EUA nas eleições deste ano.

"Se não acreditas nas alterações climáticas, não acreditas em feitos nem nas ações, e portanto, na minha humilde opinião, não te deveriam permitir aceder a um cargo público", disse DiCaprio no início do seu encontro com Obama no final do festival South By South Lawn, organizado pela Casa Branca para fomentar ideias inovadoras.

DiCaprio, que não mencionou diretamente Trump, mostrou-se preocupado por nas sondagens o ambiente ser um dos temas que menos preocupa os eleitores dos EUA e apenas "cerca de 2%" o identificarem como prioridade na hora de decidir em quem votar.

"As alterações climáticas parecem ser perversamente desenhadas para serem muito difíceis de resolver politicamente", disse Obama, reconhecendo que é difícil para as pessoas "ligar" um tornado ou inundação com o problema e que em política não é habitual tomar "decisões duras" cujos efeitos só se sentem "muito mais tarde".

"Para resolver este problema vamos precisar de uma inovação extraordinária, em coisas como o armazenamento de energia eólica e solar. Isso vai requerer mobilização de pessoas e, em última instância, que se expresse nas urnas", acrescentou Obama.

O Presidente assegurou que não há espaço para "a negação" das alterações climáticas nem para "políticas obstrucionistas" porque o fenómeno está a avançar "mais rapidamente do que se previa" e é necessário "um sentido de urgência".

"Estamos realmente numa corrida contra o tempo", sublinhou Obama, que ainda assim se mostrou "orgulhoso" do seu legado neste campo e o seu contributo para o Acordo de Paris, assinado em dezembro, na cimeira mundial sobre o clima.

"Prevejo que este acordo entrará em vigor nas próximas semanas", afirmou Obama, ao recordar que a Índia acaba de o ratificar e se espera que "vários outros países" se sigam em breve, o que permitirá alcançar a meta de aprovação por 55 nações que representem 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa.

O Presidente norte-americano destacou que "esta semana começarão as negociações" finais para chegar a um acordo internacional que regule as emissões dos aviões e que também se potenciará um pacto global para reduzir a emissão de hidrofluorocarbonetos.

DiCaprio apresentou no festival o seu documentário "Before The Flood", um projeto de três anos com o qual disse ter "aprendido muito" sobre o impacto das alterações climáticas e sobre as medidas necessárias para as combater.

"A maioria da comunidade científica com que falei acredita verdadeiramente que a melhor receita para resolver este tema é um imposto sobre o carbono", afirmou o ator.

Obama disse, no entanto, que "no contexto atual do Congresso" norte-americano, "a possibilidade de que seja aprovado de imediato um imposto sobre o carbono é mais do que distante".

Como alternativa defendeu o seu Plano de Energia Limpa, que estabelece uma série de cortes em emissões de carbono e dá flexibilidade aos estados para decidir como atingir os níveis definidos.

No entanto, o Tribunal Supremo dos Estados Unidos mantém este plano bloqueado desde fevereiro.

Lusa

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