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Esperança média de vida aumentou 10 anos desde 1980

© Reuters

A esperança média de vida aumentou mais de uma década desde 1980, mas as pessoas vivem mais tempo com doenças, revela-se num estudo publicado esta quinta-feira, segundo o qual sete em cada dez mortes resultam de doenças não transmissíveis.

Publicado pela revista The Lancet e resultado de uma parceria com o Instituto para a Métrica e a Avaliação da Saúde (IHME), o estudo sobre o Peso Global da Doença, Lesões e Fatores de Risco (GBD, na sigla em inglês) analisa 249 causas de morte, 315 doenças e lesões e 79 fatores de risco em 79 países e territórios entre 1990 e 2015.

Resulta do trabalho de 1870 especialistas independentes em 127 países e visa ser a fonte de estatísticas sobre saúde mais credível do mundo, para servir como ferramenta para os países, organizações não-governamentais e outros parceiros, na definição de políticas de saúde, como escrevem os autores no editorial da edição da revista.

Segundo os dados agora divulgados, a esperança média de vida aumentou de 61,7 anos, em 1980, para 71,8 anos em 2015 (69 nos homens e 74,8 nas mulheres), mas o conflito e a violência levaram à estagnação e até à redução daquele indicador em muitas regiões.

Na Síria, por exemplo, a esperança média de vida nos homens diminuiu 11,3 anos entre 2005 e 2015.

Já a região da África Subsaariana registou importantes ganhos na esperança média de vida entre 2005 e 2015, ao recuperar de uma era de grande mortalidade devido ao VIH/Sida.

Em termos globais, a taxa de mortalidade diminuiu 17% entre 2005 e 2015, tendência que teve como principais responsáveis a queda das taxas de mortalidade associadas a doenças como a sida (menos 42,1%) e a malária (menos 43,1%) e a complicações associadas ao parto pré-termo (menos 29,8%).

A taxa de mortalidade associada às doenças não-transmissíveis, como doenças cardiovasculares, cancro ou Alzheimer, também caiu, mas não tão depressa (14,1%).

E houve algumas causas de morte que até aumentaram, como a doença de dengue e problemas associados ao consumo de drogas.

Como resultado, 70% das cerca de 56 milhões de mortes registadas em 2015 em todo o mundo deveram-se a doenças não transmissíveis e a problemas associados à droga.

Outra conclusão é que, embora a esperança média de vida tenha aumentado 10 anos, em média, a esperança de vida saudável apenas aumentou 6,1 anos, o que significa que as pessoas vivem mais anos com doenças e deficiências.

O peso da falta de saúde passou das doenças transmissíveis, doenças associadas à maternidade e à infância e problemas nutricionais para as doenças não transmissíveis, incluindo consumo de drogas, perdas de visão e audição e artrite, devido ao aumento e envelhecimento da população.

Atualmente, concluem os autores do estudo, oito doenças crónicas, incluindo dores de cabeça, cáries e perda de visão e audição afetam, cada uma, mais de uma em cada dez pessoas.

A nova edição do GBD compara, pela primeira vez, o desempenho dos países na saúde com um índice sociodemográfico, que cruza o rendimento médio, a taxa de fertilidade, e o nível de instrução.

A conclusão, diz o diretor do IHME, na Universidade de Washington em Seatle, é que "o desenvolvimento influencia, mas não determina a saúde.

"Temos países que melhoraram muito mais depressa do que seria expectável tendo em conta o rendimento, educação e fertilidade. E também continuamos a ter países, incluindo os EUA, que estão muito menos saudáveis do que deveriam, tendo em conta os seus recursos, explicou Christopher Murray, citado no comunicado da Lancet.

Entre as conclusões do estudo, um vasto trabalho que inclui seis artigos científicos num total de mais de 300 páginas, os cientistas destacam que embora tenha havido progressos na qualidade da água e do saneamento, aumentou a ameaça associada à dieta, à obesidade e ao consumo de drogas.

Mais de 275 mil mulheres morreram na gravidez ou no parto em 2015, a maioria por causas evitáveis, estima ainda o estudo, que alerta que, embora o número de mortes de menores de cinco anos tenha diminuído para metade desde 1990, o progresso nos recém-nascidos é menos impressionante.

Lusa

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