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Ilhéus gregos e Capacetes Brancos entre possíveis premiados com Nobel da Paz

Os habitantes de várias ilhas gregas que têm ajudado milhares de refugiados, os intervenientes no acordo nuclear iraniano, os "capacetes brancos" sírios e vários ativistas russos constam este ano entre os possíveis distinguidos com o Nobel da Paz.

A distinção será anunciada sexta-feira de manhã, em Oslo, capital da Noruega, pelo Comité Nobel norueguês, entidade que atribui o Nobel da Paz.

Numa edição sem claros favoritos, o Comité norueguês informou que recebeu este ano um número recorde de candidaturas, um total de 376: 228 pessoas e 148 organizações.

No ano passado, o prémio foi atribuído ao Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia, quarteto de organizações que permitiu salvar a transição democrática na Tunísia, onde decorreram os primeiros protestos da Primavera Árabe, vaga revolucionária que abalou vários países do mundo árabe em 2011.

Esta é uma das distinções que gera mais especulação e, mesmo com o secretismo que envolve o prémio, os nomes dos potenciais vencedores surgem sempre nos media e nas casas de apostas.

Na edição deste ano, a Defesa Civil Síria, conhecida pelos seus característicos capacetes brancos, é uma das organizações mais mencionadas. O grupo composto por cerca de 3.000 estudantes, professores, agricultores e outros voluntários está envolvido no salvamento de milhares de pessoas.

Sob o lema "Salvar uma vida é salvar toda a humanidade", o grupo opera maioritariamente em áreas controladas pelos rebeldes, mas insiste na sua neutralidade no conflito civil sírio.

O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Timoleón Jiménez (ou Timochenko), chegaram a liderar as apostas até há poucos dias, mas a rejeição dos colombianos do acordo de paz entre Bogotá e o movimento de guerrilha, no referendo de domingo passado, diminuiu significativamente a possibilidade de uma distinção.

Em seu lugar surgiu uma lista que inclui o papa Francisco, o médico congolês Denis Mukwege, o antigo analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana Edward Snowden, a jovem da minoria yazidí Nadia Murad (sequestrada pelos extremistas do Estado Islâmico no Iraque), o acordo sobre as alterações climáticas alcançado em Paris ou ativista indiano Jockin Arputham.

Entre os candidatos russos destaque para Svetlana Gánushkina, responsável pela organização não-governamental de direitos humanos Memorial, que terá ajudado mais de 50 mil pessoas desde 1990.

Os negociadores do acordo nuclear iraniano também estão a ser referenciados. Os diplomatas responsáveis pelo acordo de julho de 2015 - nomeadamente o secretário de Estado norte-americano John Kerry e os seus homólogos iraniano e na União Europeia (UE) Javad Zarif e Federica Mogherini, respectivamente - já tinham sido apontados por alguns analistas para a edição do ano passado do Nobel da Paz.

A ativista e advogada chechena Lidia Yusupova continua a ser um nome em destaque entre os possíveis laureados.

Lidia Yusupova foi distinguida em 2005 com o prémio de direitos humanos da fundação norueguesa Rafto. Anteriores vencedores do Rafto como a birmanesa Aung San Suu Kyi, o ex-Presidente de Timor-Leste José Ramos Horta e a advogada iraniana Shirin Ebadi foram laureados anos depois com o Nobel da Paz.

Os habitantes das ilhas gregas que têm estado na linha da frente na ajuda aos milhares de migrantes e refugiados que procuram refúgio na Europa também têm sido mencionados. Um desses rostos é Emilia Kamvisi, de 85 anos, oriunda da ilha Lesbos, que foi fotografada a dar um biberão a um bebé sírio.

Ainda sobre a crise migratória na Europa, e devido às posições que tem assumido em defesa dos refugiados, o nome da chanceler alemã, Angela Merkel, também figura entre os potenciais distinguidos.

Nos últimos 50 anos, o Comité Nobel norueguês nunca confirmou publicamente os nomes dos eventuais candidatos ao Nobel da Paz.

Os prémios Nobel nasceram da vontade do químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em doar a sua imensa fortuna para o reconhecimento de personalidades que prestassem serviços à humanidade.

O inventor da dinamite expôs este desejo num testamento redigido em Paris em 1895, um ano antes da sua morte. Os prémios foram atribuídos pela primeira vez em 1901.

Esta semana já foram divulgados os prémios para as categorias Medicina, Física e Química.

Lusa

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