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Antiga refém das FARC defende que Nobel da Paz devia ter sido partilhado com guerrilha

© John Vizcaino / Reuters

A antiga refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) Ingrid Betancourt considerou hoje que o prémio Nobel da Paz, atribuído ao presidente colombiano Juan Manuel Santos, devia ter sido partilhado com o movimento de guerrilha.

"As pessoas que a sequestraram também mereciam o Nobel da Paz?", perguntou o jornalista, num contacto telefónico da cadeia francesa I-Télé.

"Sim. É muito difícil dizer sim, mas penso que sim", respondeu, muito comovida, Ingrid Betancourt, que esteve sequestrada pelas FARC entre 2002 e 2008.

O prémio Nobel da Paz foi atribuído ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pelos seus esforços para pôr fim à guerra civil no país.

Assinado a 26 de setembro em Cartagena das Índias entre o governo da Colômbia e as FARC, o acordo de paz foi rejeitado pela população num referendo realizado em 02 de outubro.

"Estou muito, muito, muito feliz" pela atribuição do prémio a Juan Manuel Santos, acrescentou Betancourt.

"Não só penso que o merece, mas também por se tratar de um momento de reflexão para a Colômbia, de esperança de paz, de alegria, de se dizer que efetivamente a paz não fez marcha-atrás", disse.

Juan Manuel Santos "lutou praticamente só para conseguir este resultado, mudou a história do país, deu à nova geração colombiana a possibilidade de conhecer um país diferente. É um momento imenso para a Colômbia", afirmou a antiga refém da guerrilha.

Em declarações à rádio colombiana Blu Radio, Ingrid Betancourt saudou a atribuição do Nobel como "um impulso extraordinário" que "cimenta a paz na Colômbia, e diminui as vozes daqueles que queriam ver abortar o processo de paz".

"Estamos perante a possibilidade de crescer, de amadurecer democraticamente e de poder dizer à geração que chega que fomos capazes, todos juntos, de acreditar na paz (...) de deixar para trás as nossas vinganças, os nossos ódios", acrescentou.

Ingrid Betancourt saudou o Nobel como um reconhecimento "desta transformação extraordinária das FARC, que passaram de um grupo terrorista ligado à droga para um verdadeiro grupo de seres humanos convencidos de que podem contribuir para a paz".

A antiga refém, que vive atualmente entre a França, Reino Unido e Estados Unidos, foi candidata às eleições presidenciais colombianas pelo partido ecologista, antes do rapto pelas FARC.

Lusa

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