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Juan Manuel Santos, um presidente que quer procurar a paz até ao último minuto

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O Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, hoje distinguido com o Nobel da Paz, arriscou todo o seu capital político para pôr fim a meio século de uma guerra fratricida, um sonho que prometeu nunca mais abandonar.

"Eu continuarei a procurar a paz até ao último minuto do meu mandato, porque esse é o caminho a seguir para deixar um país melhor aos nossos filhos", disse no domingo o chefe de Estado, depois de os colombianos rejeitarem em referendo o acordo de paz com as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), considerando-o demasiado favorável para os guerrilheiros.

"O Presidente fez prova de uma liderança corajosa. Corajoso porque preferiu a paz à inércia da guerra. Corajoso porque submeteu a decisão aos cidadãos", disse no início da semana Humberto de la Calle, chefe dos negociadores com as FARC.

O acordo histórico pôs fim a quatro anos de contactos deslocalizados em Cuba com a mais antiga e mais importante guerrilha do país e foi saudado por toda a comunidade internacional.

Fazer as pazes com as FARC "exigia coragem, audácia, perseverança e muita estratégia: qualidades e pontos fortes de Santos", disse à AFP Mauricio Rodriguez, seu cunhado e conselheiro desde há 20 anos.

Juan Manuel Santos, de 65 anos, proveniente de uma família da alta sociedade de Bogotá, entrou na política em 1991.

Jornalista até então, tinha recebido o prémio do rei de Espanha pelas suas crónicas sobre a revolução sandinista da Nicarágua.

"Marcou-nos profundamente", disse um dia a propósito de essa investigação realizada com o seu irmão Enrique, outro ator chave do processo de paz, que começou em 2012 oficialmente, mas secretamente com a eleição de Santos em 2010.

Quando entrou no palácio presidencial Casa de Nariño, este político que se define como "de extremo centro" já tinha perseguido a guerrilha, numa cruzada implacável enquanto era ministro da Defesa do seu antecessor de direita, Alvaro Uribe.

O objetivo era enfraquecer as FARC para as obrigar a negociar. Segundo os analistas, Santos fez a guerra para alcançar a paz.

O Presidente colombiano disse sempre que não procurava uma recompensa pela sua luta pela reconciliação da Colômbia, diminuída por décadas de confrontos entre as guerrilhas de extrema esquerda, paramilitares de extrema direita e forças armadas, que fez mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

"Não procuro aplausos. Quero fazer o que está certo", disse o chefe de Estado, descrito como muito racional e por vezes criticado pela sua aparente frieza, numa entrevista à AFP.

Admirador de Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt e Nelson Mandela, leitor voraz e cinéfilo, Santos disse sempre que a sua força vem da família, constituída em 1988 com Maria Clemencia Rodriguez, que tem a alcunha de "Tutina" e é mãe dos seus três filhos.

Lusa

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