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Modelo digital ajuda nas investigações de crimes em Auschwitz

As autoridades alemãs dispõem de um detalhado modelo digital do campo de extermínio Auschwitz-Birkenau, na Polónia, para facilitar a investigação sobre criminosos de guerra nazis, segundo a imprensa internacional.

Vários órgãos de comunicação relataram como investigadores, procuradores e juízes podem usar uma nova ferramenta tecnológica que permite uma espécie de viagem no tempo, ao reconstruir detalhadamente os locais, onde pelo menos 1,1 milhões de pessoas foram assassinadas durante a Segunda Guerra Mundial.

O modelo a três dimensões (3-D) reproduz a visão de um membro das forças alemãs SS no terreno, pelo que pode ser usado "em tribunais para rebater as objeções dos suspeitos que afirmam não ter testemunhado execuções ou marchas para as câmaras de gás dos locais onde estavam", explicou Jens Rommel, chefe do departamento federal alemão para a investigação de crimes de guerra nazis.

À agência noticiosa France Presse, Rommel tinha afirmado que a nível legal a questão colocada é de intenção: "devia um suspeito saber que as pessoas iam ser levadas para as câmaras de gás ou fuziladas? Este modelo é muito bom e uma ferramenta muito moderna para a investigação, porque pode ajudar a responder a essa questão".

A reconstituição digital foi desenvolvida por especialistas do Instituto Penal do estado da Baviera, que visitaram pela primeira vez os locais em 2013 e usaram várias fontes de informação para reconstituírem aquele que é considerado um dos mais infames locais usados pelo regime nazi para o programa de extermínio, sobretudo de judeus.

Para este trabalho foram usados inúmeros documentos, lasers para 'capturar' imagens de vedações, torres de vigia e edifícios, assim como fotografias aéreas para alcançar a maior precisão possível.

A ferramenta possibilita a visão dos locais, quer em condições de verão, quer de inverno.

Rommel lidera uma equipa de seis juízes e procuradores que nos últimos quatro anos encontraram 30 suspeitos de crimes em Auschwitz e entregaram os casos à Justiça.

Depois dos últimos casos criminais estarem concluídos, as autoridades alemãs admitem que o modelo digital poderá ser emprestado a monumentos que lembram o Holocausto.

"Claro que temos que ter extremo cuidado com roubos", indicou um dos criadores do sistema, Ralf Breker, ao antecipar o "pesadelo", nomeadamente devido ao uso daqueles dados para criar jogos de computador.

O especialista antecipou, ainda, o uso destes modelos 3D noutros cenários de crime para ajudar às investigações.

Lusa

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