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Defesa diz que Lula da Silva não favoreceu empréstimos para obras em Angola

A defesa do ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse esta segunda-feira que o seu cliente não atuou para favorecer o financiamento de contratos de empresas brasileiras com obras em Angola.

"Não conheço as acusações, mas posso dizer que as decisões do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) sobre a concessão de empréstimos são feitas por um colegiado do qual o Presidente [Lula da Silva] não participava", declarou Cristiano Zanin Martins.

O causídico continuou alegando que as palestras colocadas sob suspeita pelo Ministério Público Federal (MPF) na acusação como sendo uma forma de lavar dinheiro pago em retribuição ao ex-Presidente brasileiro em favorecimento da empreiteira Odebrecht "foram realizadas e estão comprovadas".

Citando o suposto envolvimento do ex-chefe de Estado para favorecer os negócios de seu sobrinho, o advogado se limitou a dizer que Lula da Silva "não tem participações nos negócios de Taiguara [Rodrigues dos Santos]".

Hoje o MPF do Brasil acusou o ex-Presidente pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva devido a negócios em Angola.

Estas práticas criminosas teriam ocorrido entre 2008 e 2015 e envolveram, segundo o MPF, a atuação de Lula da Silva junto ao BNDES e outros órgãos sediados em Brasília com o propósito de garantir a liberação de financiamentos pelo banco público para a realização de obras de engenharia em Angola.

Além de Lula da Silva, outras 10 pessoas foram acusadas, entre elas os empresários Marcelo Odebrecht e Taiguara Rodrigues dos Santos.

Para os procuradores, entre 2008 e 2010, quando Lula da Silva ainda ocupava a Presidência da República terá praticado corrupção passiva. Depois de deixar o cargo, de 2011 até 2015, os investigadores alegam que o ex-Presidente cometeu tráfico de influência em benefício dos envolvidos.

O político brasileiro deve responder por lavagem de dinheiro, crime que que teria sido praticado 44 vezes e que foi viabilizado, por exemplo, por meio de repasses de valores justificados pela subcontratação da empresa Exergia Brasil, criada em 2009 por Taiguara Rodrigues dos Santos.

Os procuradores alertaram, em comunicado, que "parte dos pagamentos indevidos se concretizou por meio de palestras supostamente ministradas pelo ex-Presidente a convite da construtora".

Na nota lê-se ainda que as investigações continuam, desdobradas em cinco processos, "tanto no caso dos empreendimentos feitos em Angola e da participação da empresa Exergia Portugal na organização criminosa", como em relação a outros empréstimos feitos pelo BNDES no âmbito do financiamento para exportação de serviços.

O programa do BNDES beneficiou vários países de África e da América Latina, sendo que, além da Odebrecht, houve obras executadas por outras construtoras.

Lusa

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