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Tempestades causarão mais inundações em Nova Iorque nas próximas décadas

Violentas cheias causadas por grandes tempestades, à escala do furacão Sandy em 2012, deverão aumentar acentuadamente nas próximas décadas na área da cidade de Nova Iorque, indicaram esta segunda-feira investigadores.

Usando modelos em computador para combinar a subida do nível do mar e velocidade da tempestade - inundações causadas por um ciclone - uma equipa de investigadores concluiu que tais eventos se tornarão cada vez mais frequentes nos próximos anos.

"O pior cenário aponta para uma frequência 17 vezes maior quando se chegar a 2100", refere o estudo publicado na edição de 10 de outubro dos "Proceedings of the National Academy of Sciences".

No mínimo, tais tempestades tornar-se-ão três ou quatro vezes mais frequentes, prevê o estudo realizado por investigadores das universidades de Princeton e Rutgers e do Instituto Oceanográfico Woods Hole.

O furacão Sandy desencadeou inundações que atingiram os três metros de altura em toda a área costeira de Nova Iorque e Nova Jérsia e é considerado o segundo furacão com custos mais elevados da história dos Estados Unidos, tendo causado cerca de 71 mil milhões de dólares em danos materiais e 157 mortes. Aquele que teve os custos mais elevados foi o Katrina, em 2005.

Se a subida da água do mar se mantivesse ao nível de 2000, tempestades como o Sandy aconteceriam apenas de cerca de 400 em 400 anos, segundo o estudo.

Mas espera-se que a subida do nível do mar aumente significativamente nas próximas décadas, e as tempestades poderão também tornar-se mais violentas num planeta em aquecimento.

"Em matéria de engenharia, sempre considerámos o nível do mar e o clima como sendo estáticos. Mas agora temos de ter em conta as alterações ao longo do tempo", disse o principal autor do estudo, Ning Lin, professor de Engenharia Civil e Ambiental em Princeton.

"Se não contarmos com o aumento do nível do mar e possível mudança na formação de tempestades, estaremos a subestimar futuros riscos de inundações", defendeu.

A metodologia do estudo poderá também ser aplicada a outras cidades costeiras.

"A grande novidade é que as coisas vão piorar até 2100", disse o coautor Benjamin Horton, professor de Ciências Marinhas e Costeiras em Rutgers.

"Mesmo que nada mude relativamente aos furacões, a subida do nível do mar aumentará, por si só, a frequência de eventos semelhantes ao Sandy até 2100", concluiu.

Lusa

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