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Continuam confrontos entre estudantes e polícia na África do Sul

© Reuters

A África do Sul viveu esta terça-feira mais uma jornada de violência, com confrontos entre estudantes que exigem ensino superior gratuito e a polícia destacada nos campus universitários do país, onde se registaram muitos feridos e detenções.

Os piores incidentes ocorreram na Universidade de Witwatersrand (Wits) de Joanesburgo, onde a polícia dispersou os manifestantes com balas de borracha e gás lacrimogéneo depois de estes atacarem com pedras os seguranças privados do campus.

A direção de Wits entregou à polícia o controlo da universidade, tendo as aulas decorrido com centenas de agentes antimotim a patrulhar o campus fortemente armados.

O reitor, Adam Habib, recorreu às forças da ordem para garantir que os estudantes poderão concluir os respetivos cursos académicos, cujos últimos exames estão marcados para finais deste mês.

Polícias e ativistas do movimento Fees Must Fall (Abaixo as Propinas), que exige em vários pontos do país ensino superior grátis, enfrentaram-se também na Cape Peninsula University of Technology (CPUT), na Cidade do Cabo, onde pelo menos três alunos foram detidos.

Segundo fontes da associação de estudantes da CPUT, pelo menos 12 estudantes ficaram feridos nos distúrbios.

As universidades de Free State (UFS), Western Cape (UWC) e Cidade do Cabo (UCT) continuam encerradas devido aos protestos.

As manifestações na Universidade de Wits terminaram na segunda-feira à noite com fogueiras, pilhagens e pedradas contra os automóveis no centro de Joanesburgo, onde a política usou balas de borracha para fazer recuar os estudantes violentos.

Esta onda de protestos começou a 19 de setembro, quando o Governo anunciou um aumento do preço das matrículas de até 8%.

O movimento Fees Must Fall já conseguiu, em outubro do ano passado, que o Governo revogasse o aumento de mais de 10% previsto para as matrículas dos cursos que agora decorrem.

Milhares de estudantes concentraram-se, então, em frente às sedes do parlamento e da Presidência, e as autoridades acabaram por ceder às suas exigências e cancelaram os aumentos das propinas.

Além de ensino gratuito para todos, os ativistas exigem uma universidade "descolonizada" e a melhoria das condições do pessoal não académico dos campus.

Os líderes do movimento comprometeram-se a continuar a interromper as aulas até que consigam satisfazer os seus objetivos.

Lusa

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