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Guillermo Fariñas adverte para perigo de guerra civil em Cuba

O dissidente cubano Guillermo Fariñas advertiu esta terça-feira para o perigo de uma guerra civil em Cuba caso o futuro acordo de diálogo político firmado entre Havana e a União Europeia não fique condicionado ao respeito pelos Direitos Humanos.

"Tenho medo que Cuba termine numa guerra civil, como na Síria ou na Líbia. Todas as condições políticas, económicas e sociais estão criadas para isso", afirmou o dissidente, numa entrevista à agência noticiosa espanhola EFE nas instalações do Parlamento Europeu (PE) em Bruxelas.

O dissidente e jornalista cubano Guillermo "El Coco" Fariñas, que cumpriu até à data 25 greves de fome e esteve preso mais de 11 anos, vai comparecer na quarta-feira na subcomissão de Direitos Humanos do PE.

"Viemos procurar a vergonha, a ética e a moral dos eurodeputados. Querem o melhor para Cuba, mas temos a impressão que estão a ser manipulados pelo Governo cubano, que é muito hábil em dar a impressão de que existiram mudanças quando na realidade não aconteceu nada", disse Fariñas, que em 2010 foi distinguido com o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, galardão atribuído anualmente pelo PE.

"Acredito que se os dois grandes blocos políticos democráticos do mundo, a UE e os Estados Unidos, não começarem a colocar diretivas ao Governo cubano (...) com vista à democracia, irá acontecer uma cadeia de explosões sociais, porque existe muito ódio acumulado, que levará a uma guerra civil. Devemos procurar uma solução negociada", prosseguiu o jornalista.

A UE espera concluir antes do fim de 2016 o processo de um acordo bilateral com Cuba que defina um novo quadro das relações com este país latino-americano, o único daquela região que não tem um acordo de cooperação com o bloco comunitário.

Europeus e cubanos iniciaram negociações para o seu primeiro acordo bilateral em abril de 2014 e, uma vez concluídas, o pacto foi assinado em março deste ano numa cerimónia em Havana.

A UE suspendeu relações com Cuba em 2003, na sequência da repressão exercida sobre jornalistas e ativistas e, desde 1996, usava a chamada "posição comum", um instrumento diplomático para criar exceções na sua política externa e que impede o diálogo com países que não respeitam os Direitos Humanos.

O objetivo das recentes negociações foi abrir uma nova etapa nas relações entre Bruxelas e Havana e superar a chamada "posição comum", que foi impulsionada em 1996 pelo Governo espanhol do então primeiro-ministro conservador José María Aznar.

As autoridades de Havana sempre consideraram esta política como um obstáculo para uma relação plena com a UE.

Em setembro último, a Comissão Europeia propôs aos Estados-membros da UE apoiarem o acordo de cooperação e de diálogo político com a ilha caribenha. Em paralelo, Bruxelas e Havana iniciaram um diálogo formal sobre Direitos Humanos.

"Somos favoráveis a um acordo e ao envolvimento da UE na questão cubana. Mas acreditamos que quando se está a negociar com malfeitores" existe a necessidade de colocar "prazos para cumprir em matéria de Direitos Humanos", frisou o dissidente, defendendo que o acordo deve ter em consideração aspetos como a libertação de presos políticos, a legalização de outros partidos políticos e a criação de uma lei eleitoral democrática.

Lusa

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