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A elegância dos vendedores de rua do Zimbabué

Vestido com um fato de três peças com um chapéu e um laço a condizer, Farai Mushayademo podia facilmente passar como alguém do mundo do espetáculo. Isto, se o seu trabalho não envolvesse andar numa das estradas mais concorridas da capital do Zimbabué a vender garrafas de água e batatas fritas aos condutores que por ali passam.

Tsvangirayi Mukwazhi

Todos os dias, Mushayademo aparece com um fato diferente, o que o ajuda a vender mais e a bater a "crescente competição", diz o próprio.

O elevado número de desempregados no Zimbabué obrigou a que muitos recorressem aos trabalhos de rua para se conseguirem sustentar. Em Harare, estes vendedores vendem de tudo: desde medicamentos a peças de carros.

É quase impossível andar pelos passeios da capital e de outras cidades do Zimbabué, tamanho o número de bancas que por ali "estacionam". Alguns vendedores aventuram-se nas estradas para conseguir chegar aos condutores.

"O fato faz parte da minha estratégia de marketing", Mushayademo disse à The Associated Press. Muitas vezes associados a alguém mal vestido e com roupas gastas, Mushayademo garante que as pessoas querem comprar a sua comida a alguém que está "vestido de maneira inteligente".

O homem de 35 anos tem três filhos e costumava ser alfaiate. Os alfaiates têm desaparecido cada vez mais no Zimbabué, devido ao enorme fluxo de roupas em segunda mão provenientes do vizinho Moçambique.

Com o crescente número de vendedores de rua, uns são mais criativos do que outros, de modo a ficar à frente nas vendas. Uns gravam áudios com o anúncio de promoções. Outros viram-se para o espetáculo.

Tsvangirayi Mukwazhi

Gilbert Mundicha vende cartões de telemóvel, num dos subúrbios ricos da capital. Ele danca, faz continências e cumprimenta quase todos os condutores que passam por si, ao mesmo tempo que usa aquilo a que chama de "sotaque britânico".

Segundo a agência AP, os automobilistas "adoram" o vendedor e, Mundicha parece ter construído uma base de clientes fiéis aos seus produtos. Uns param de propósito os seus carros para comprarem diretamente a si, outros baixam as suas janelas para o cumprimentar pelo nome.

A criatividade de alguns vendedores tem dado nas vistas, levando várias marcas a quererem expandir os seus horizontes e a pedir a estes homens e mulheres que façam propaganda ao seu produto. No dia da entrevista, Mundicha tinha uma t-shirt vestida com o logo de uma as mais populares estações de rádio do país. Segundo o vendedor, "pessoas de marketing dão-me muitas vezes camisolas com a marca para eu vestir".

Tsvangirayi Mukwazhi

Kiziti Gezi é outro vendedor de rua que recorre ao estilo para vender mais. Com uma camisa branca e um laço verde, Gezi passa por entre os carros a vender fruta.

É este tipo de inovações que podem ajudar o vendedor a destacar-se na multidão.

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    Rita Pedras