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Apenas uma em cada seis crianças até aos dois anos recebe nutrientes suficientes

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© Erik de Castro / Reuters

Apenas uma em cada seis crianças com menos de dois anos recebe alimentos em quantidade e diversidade suficientes para a sua idade, o que deixa as restantes em risco de danos físicos e mentais irreversíveis.

A conclusão é de um relatório da agência das Nações Unidas para a infância, a Unicef, hoje divulgado.

"Os bebés e as crianças pequenas têm maior necessidade de nutrientes do que em qualquer outra fase da vida. Mas milhões de crianças pequenas não desenvolvem todo o seu potencial físico e intelectual porque recebem pouca comida e demasiado tarde", disse France Begin, conselheira sénior para os assuntos de Nutrição da Unicef, citada num comunicado da organização.

A responsável alerta que "uma nutrição deficiente numa idade tão tenra causa danos mentais e físicos irreversíveis".

Intitulado "Desde a primeira hora de vida", o relatório agora divulgado revela um mundo onde uma dieta saudável está fora do alcance da maioria.

Os dados da Unicef mostram que a introdução tardia de alimentos sólidos, o número reduzido de refeições e a falta de variedade de alimentos são práticas generalizadas no mundo, privando as crianças de nutrientes essenciais quando o cérebro, os ossos e o físico deles mais precisam.

Com efeito, embora os alimentos sólidos devam ser introduzidos a partir dos seis meses de idade, um terço de todas as crianças no mundo só começa a comê-los demasiado tarde e um em cada cinco bebés só começa a comer alimentos sólidos após os 11 meses.

Apenas 52% das crianças de entre seis e 23 meses recebem o número mínimo de refeições diárias para a sua idade e a diversidade alimentar é outro problema: menos de metade das crianças recebe diariamente alimentos de pelo menos quatro grupos alimentares diferentes.

Entre os seis e os 11 meses, a faixa etária em que a nutrição é mais importante, a situação é ainda mais preocupante: apenas 20% estão a receber alimentos de quatro grupos diferentes por dia, o que provoca carências de vitaminas e minerais.

O relatório da Unicef refere-se também à amamentação, que segundo as recomendações da Organização Mundial de Saúde deveria ser a forma exclusiva de alimentação dos bebés até aos seis meses de idade.

Segundo os dados revelados, apenas 45% dos 140 milhões de bebés que nasceram em 2015 foram amamentados na sua primeira hora de vida, como é recomendado, e três em cada cinco bebés com menos de seis meses não recebem os benefícios da amamentação exclusiva.

De acordo com o relatório, quase metade das crianças em idade pré-escolar sofre de anemia e metade das crianças entre os seis e os 11 meses não recebem qualquer tipo de alimento de origem animal.

A Unicef alerta ainda para as desigualdades: Na África subsaariana e no Sul da Ásia, apenas uma em cada seis crianças dos agregados familiares mais pobres com idades entre os seis e os 11 meses têm uma dieta minimamente diversificada, comparando com uma em cada três dos agregados mais ricos.

A organização sublinha que a melhoria da nutrição das crianças mais pequenas poderia salvar 100.000 vidas por ano, mas sublinha que as famílias, embora façam o seu melhor com os recursos a que têm acesso, não podem fazer tudo sozinhas.

É precisa a liderança dos governos e os contributos de setores-chave da sociedade para fornecer uma dieta saudável às crianças, pode ler-se no relatório.

Tornar os alimentos nutritivos mais baratos e acessíveis para as crianças mais pobres exige investimentos mais consistentes e direcionados por parte dos governos e do setor privado.

Transferências em dinheiro ou em géneros para as famílias vulneráveis; programas de diversificação de colheitas; e o enriquecimento de alimentos básicos são essenciais para a melhorar a nutrição das crianças pequenas.

Serviços de saúde comunitários com capacidade para ajudar a ensinar aos cuidadores melhores práticas alimentares, bem como a água e o saneamento adequados -- essenciais para a prevenção de doenças diarreicas nas crianças -- são igualmente cruciais.

"Não podemos permitir-nos falhar nesta nossa luta para melhorar a nutrição das crianças pequenas. A sua capacidade para crescer, aprender e contribuir para o futuro dos seus países depende disso", concluiu France Begin.

Lusa

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