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Rei marroquino abre nova legislatura com ralhete aos funcionários públicos

Ao discursar perante os 395 membros da nova Câmara dos Representantes, todos rigorosamente vestidos com a tradicional capa branca com capuz e sapatos em bico, o monarca lançou uma rara, mas severa, reprimenda aos serviços da administração pública. (Arquivo)

© Zoubeir Souissi / Reuters

O rei marroquino, Mohamed VI, inaugurou esta sexta-feira a legislatura do novo Parlamento eleito na sexta-feira, sem aludir às negociações para o novo Governo e com um ralhete severo aos funcionários públicos.

Ao discursar perante os 395 membros da nova Câmara dos Representantes, todos rigorosamente vestidos com a tradicional capa branca com capuz e sapatos em bico, o monarca lançou uma rara, mas severa, reprimenda aos serviços da administração pública.

Os serviços públicos padecem de "excesso de efetivos, falta de qualificações e ausência de responsabilização no caso de muitos funcionários", o que se traduz em "um débil rendimento e uma pobre qualidade de serviços prestados ao cidadão".

Para Mohamed VI, não há dúvidas de que o estatuto de funcionário público "representa para muitos um abrigo que garante um salário mensal, sem ter de prestar contas do que faz".

Como exemplos, mencionou os atrasos na entrega de documentos, a concentração dos serviços, apesar de, em teoria, haver um Estado descentralizado, o silêncio dado às denúncias dos cidadãos ou o não-pagamento de indemnizações quando compete ao Estado pagá-las.

Os consulados marroquinos, que apoiam mais de quatro milhões de marroquinos no estrangeiro, foram citados em várias ocasiões como exemplo deste desdém pelos cidadãos, tal como os serviços que têm de responder aos projetos de investimento e que só provocam o seu atraso ou ainda a administração da justiça, acusada de uma grande lentidão nos seus procedimentos.

O rei disse ainda que estes casos explicam em parte o facto de muitos cidadãos lhe escreverem a pedir ajuda.

Apesar de afirmar que está "orgulhoso de lidar diretamente com as pessoas e resolver os seus problemas", Mohamed VI acrescentou que isto não aconteceria se o cidadão não se deparasse com frequência com as portas fechadas dos serviços ou a negligência dos funcionários.

Lusa

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