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Resultados oficiais confirmam eleição de sérvio bósnio para Câmara de Srebrenica

Uma mulher acende velas junto a papeis com números que simbolizam as vítimas do massacre de Srebrenica, em 1995

© Marko Djurica / Reuters

A comissão eleitoral confirmou hoje oficialmente a vitória de um sérvio bósnio para o município de Srebrenica, símbolo da violência interétnica da guerra na Bósnia (1992-1995) e que era dirigido sem interrupção desde 1999 por muçulmanos bósnios.

Os muçulmanos na ex-república jugoslava têm demonstrado inquietação pela vitória de Mlaaden Grujicic, designadamente acusado de não referir publicamente que o massacre, que reconheceu, de cerca de 8.000 homens e adolescentes bósnios em julho de 1995, não foi um ato de genocídio.

Os resultados oficiais hoje anunciados atribuem 54,4% nos sufrágios das eleições regionais de 2 de outubro a Mladen Grujicic, contra 45,5% para o presidente cessante do município, o bosníaco Camil Durakovic.

O assalto das forças sérvias bósnias a Srebrenica pouco antes do final do conflito bósnio é considerado um ato de genocídio pela justiça internacional.

Na quinta-feira, a associação das "mães de Srebrenica", que representa os familiares dos muçulmanos bósnios mortos em julho de 1995, tinha pedido a anulação das municipais nesta cidade do leste da Bósnia ao denunciar alegadas fraudes eleitorais que teriam beneficiado Grujicic.

Hatidza Mehmedovic, que dirige uma das principais associações das "mães de Srebrenica", acusou a comunidade internacional de não ter intervindo para anular a eleição.

"Fomos traídos pela comunidade internacional em 1995, quando nos abandonaram aos assassinos, e acabam de nos trair uma segunda vez", referiu Mehmedovic, que perdeu o marido e os dois filhos no massacre.

Segundo Mehmedovic, o vencedor do escrutínio "não pode dirigir" a cidade "porque os seus ídolos são criminosos de guerra, como Radovan Karadzic".

Antigo chefe político dos sérvios da Bósnia, Karadzic foi condenado em março a 40 anos de prisão pelo Tribunal penal internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ), designadamente por crimes de guerra e contra a humanidade, e ato de genocídio.

O antigo presidente da câmara local Camil Durakovic, não reagiu de imediato ao anúncio dos resultados, mas previamente também aludiu a "irregularidades" na votação.

Os candidatos têm agora três dias para avançar com eventuais reclamações.

"As eleições em Srebrenica são uma história acabada, concluída pela vitória no nosso candidato", assinalou por sua vez o líder político dos sérvios bósnios, Milorad Dodik, citado pela agência noticiosa sérvia Beta, assegurando ainda que todas as vítimas de guerra, sérvias e bosníacas, serão respeitadas por Grujicic.

Em entrevista concedida à agência noticiosa France-Presse antes do escrutínio, Grujicic, um professor de química de 34 anos, admitiu que "ocorreu um crime contra os bosníacos, mas "deixo às instituições competentes a função de o qualificar".

Lusa

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