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Mais de 350.000 refugiados afegãos regressaram do Paquistão em 2016

© Mohammad Ismail / Reuters

Mais de 350.000 refugiados afegãos deixaram o Paquistão desde janeiro para regressar ao seu país dilacerado pela guerra, segundo a ONU, que prevê que o refluxo se acelere até ao final do ano.

No início de outubro, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tinha indicado que o número de refugiados afegãos regressados do Paquistão tinha ultrapassado os 200.000 desde o início do ano.

Mas esta semana, o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU no Afeganistão divulgou estatísticas atualizadas que têm também em conta os refugiados sem papéis que atravessam a fronteira.

"Até hoje, em 2016, 162.186 pessoas sem papéis e 207.236 pessoas registadas regressaram do Paquistão para o Afeganistão", indica um comunicado da OCHA, que precisa que a maioria dos retornos - 333.000 - ocorreu desde julho.

"Com base nas tendências atuais, esperamos que até 446.000 outros refugiados regressem até ao final do ano", adianta.

Tais números fazem temer uma crise humanitária no Afeganistão, onde o governo já está sobrecarregado com as centenas de milhares de pessoas deslocadas devido aos combates.

O número de afegãos deslocados atingiu os 323.500 desde o início do ano. Apenas na semana passada, 37.000 afegãos fugiram das suas casas devido à intensificação dos combates em Kunduz (norte) e no sul do Afeganistão, disse fonte da OCHA à agência France Presse na segunda-feira.

O Paquistão acolheu milhões de afegãos em fuga desde a invasão soviética em 1979 e contava 1,4 milhões de afegãos registados como refugiados, segundo dados divulgados no corrente ano pelo ACNUR, tornando-se o terceiro país no mundo com maior número de refugiados. Os refugiados sem papéis eram calculados em cerca de um milhão.

Desde 2009 que Islamabad tem adiado repetidamente o prazo para o regresso dos refugiados ao Afeganistão, mas muitos pensam que a última data fixada, março de 2017, será mantida.

A polícia paquistanesa também tem aumentado a pressão sobre os estrangeiros sem papéis, o que aliado à duplicação do prémio de retorno pela ONU em junho - de 200 para 400 dólares por pessoa - terá feito disparar os regressos, apesar da má situação da segurança no Afeganistão.

Lusa

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