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Número de crianças vítimas do conflito no Afeganistão não para de aumentar

© Omar Sobhani / Reuters

O número de crianças afegãs vítimas do conflito entre talibãs e as forças de segurança está "em aumento constante desde 2013", alertaram esta quarta-feira as Nações Unidas, apelando a "todas as partes" que poupem a população civil.

Numa altura em que os "combates atingem cada vez mais zonas densamente povoadas, é imperativo que as partes tomem medidas imediatas para poupar os civis", afirma, num comunicado, o chefe da missão de assistência da ONU no Afeganistão (Manua), Tadamishi Yamamoto.

Nos primeiros nove meses de 2016, 8.397 civis foram vítimas de combates, atentados ou engenhos explosivos, 2.562 dos quais morreram e 5.835 ficaram feridos, segundo os números divulgados hoje pela ONU.

O número representa uma redução de um por cento em relação ao mesmo período de 2015, mas "o número de crianças vítimas continua a aumentar ano após ano desde 2013", tendo registado um aumento de 15% entre os primeiros nove meses de 2015 e o período homólogo de 2016.

"Entre janeiro e setembro de 2016, 2.461 crianças foram registadas como vítimas, das quais 639 mortas e 1.822 feridas", afirma o texto.

As principais causas, sublinha a ONU, são "os combates no terreno, seguidos dos ataques suicidas e dos engenhos explosivos improvisados".

Sobre minas e bombas abandonadas, precisa a organização, o número total de vítimas diminuiu 22%, mas "84% das vítimas" deste tipo de incidente "são crianças", explicou Danielle Bell, diretora do departamento de direitos humanos da missão.

A ONU sublinha também que a contra-ofensiva das forças governamentais face aos grupos insurgentes no leste se tem revelado especialmente mortífera para os civis, com 23% do total de vítimas -- 623 mortos e 1.274 feridos -, mais 42% em relação ao ano anterior.

"A intensificação dos combates no terreno é a primeira causa", com 39% das vítimas, mas a missão "preocupa-se igualmente com o número crescente de vítimas dos ataques aéreos das forças pró-governamentais", que fizeram 133 mortos e 159 feridos entre os civis, "mais 72% que em 2015".

Lusa