sicnot

Perfil

Mundo

Luaty Beirão elogiado por "pedagogia da coragem" em "tempos de miséria ideológica"

LUSA

O ativista angolano Luaty Beirão, cujo diário da prisão foi apresentado na quarta-feira à noite em Lisboa, mereceu elogios de Pacheco Pereira e Daniel Oliveira, que destacaram a sua "pedagogia da coragem" em "tempos de miséria ideológica".

O "cota Pacheco", como carinhosa e respeitosamente lhe chamou Luaty, classificou a obra, intitulada "Sou Eu mais Livre, Então" e publicada em Portugal pela Tinta-da-China, como "um livro que ajuda à visibilidade e à luta dos angolanos, de gente que tem uma espécie de mal-estar" em relação ao regime do Presidente José Eduardo dos Santos, um livro que "merece ser lido e merece ser discutido".

"Nestes tempos de miséria ideológica, é muito importante que alguém se dê ao trabalho de resistir", sublinhou o historiador e comentador político.

José Pacheco Pereira defendeu ainda que o Portugal pós-colonialista tem responsabilidades por assumir.

"Nós temos essa culpa coletiva: que os partidos políticos, sobretudo os do centro, ajudem à perpetuação do regime angolano e à miséria do povo angolano", frisou.

Daniel Oliveira tomou a palavra para dizer: "A única coisa que eu queria fazer era agradecer ao Luaty e a todos os outros pela pedagogia da coragem - e, atenção, não falo de heroísmo, falo de coragem, de servirem como um exemplo de decência.

"O dinheiro compra as cobardias, compra os silêncios, e essas coisas são as mais difíceis, explicou, acrescentando que o caso dos 17 ativistas angolanos "nunca foi uma questão de direitos humanos, foi uma escolha política", considerou o cronista do semanário Expresso.

"Ser preso por uma ditadura é uma medalha", referiu.

Após meses de prisão, julgamento e condenação dos 17 ativistas detidos em junho de 2015 por estarem juntos a ler e a debater o conteúdo do livro de Gene Sharp "Da Ditadura à Democracia", Luaty, que sobreviveu a duas greves da fome durante o processo, uma das quais de 36 dias - no limiar da sobrevivência -, agradeceu aos presentes no Teatro Cinearte, que enchiam a sala, o seu contributo para denunciar a situação.

"Muito obrigado pelo que fizeram por nós. Fez toda a diferença", disse o ativista de 35 anos, fazendo questão de frisar que não é uma vítima e que tudo o que viveu nos últimos tempos em Angola "faz parte do desafio político para melhorar o país".

"O que nós temos de fazer em regimes ditatoriais com fachadas de democracia é provocá-los. Eles dão-nos os factos, fazem-nos esse favor, e nós agradecemos. É claro que nos sai do lombo: um sanguezinho aqui, uma cabeça aberta ali, uma prisão? mas vale a pena, é preciso continuar a dar o corpo", defendeu.

"O Zé Eduardo ajudou-nos muito a mudar o país (...) e saímos todos mais fortalecidos. Vale a pena continuarmos nesta via", declarou.

Quanto à posição de Portugal perante o regime, o 'rapper' luso-angolano considerou que o país cumpre o papel de recetor do roubo.

Inquirido sobre se tenciona formar um novo partido político para combater um regime "oligárquico, colonial e predador", como o descreveu Daniel de Oliveira, Luaty Beirão respondeu que a sociedade angolana "é extremamente partidarizada e [que] as pessoas sentem que só se estiverem ligadas a um partido é que podem emitir uma opinião".

"Eu não tenho ideia de formar um partido político, prefiro trabalhar com a sociedade civil, prefiro trabalhar no amadurecimento do cidadão: capacitar o cidadão para que ele sinta que é o agente da mudança", declarou.

Lusa

  • Admissão de efetivos nas Forças Armadas aquém do pedido pelas chefias
    1:42

    País

    O Ministério das Finanças autorizou a admissão de mais efetivos nas forças armadas, este ano mas a integração fica muito abaixo do número pedido pelas chefias militares. Mário Centeno só terá autorizado a integração de cerca de três mil militares em vez das cinco mil vagas propostas pelas chefias do Exército, Força Aérea e Marinha.

  • EUA preparam-se para ver o primeiro eclipse solar total, 38 anos depois
    1:40
  • Pyongyang acusa Washington de atirar "achas para a fogueira"
    1:47

    Mundo

    A Coreia do Sul e os Estados Unidos iniciaram esta segunda-feira exercícios militares conjuntos. As manobras militares procuram ensaiar respostas a uma hipotética invasão da Coreia do Norte. Pyongyang já reagiu e diz que Washington está a atirar "achas para a fogueira". 

  • "É muito importante que os EUA mostrem determinação política e militar"
    0:50

    Mundo

    Os exércitos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos iniciaram hoje as manobras anuais numa altura marcada pela recente escalada de tensão entre Pyongyang e Washington. Para Miguel Monjardino, comentador da SIC, estes exercícios militares são encarados como uma provocação para a Coreia do Norte. Monjardino defende que é importante que os EUA mostrem determinação no atual clima de tensão nuclear.

  • China prepara-se para inaugurar comboio mais rápido do mundo
    1:08
  • Morreu o rei da comédia
    2:08

    Cultura

    Um dos grandes nomes do humor norte-americano morreu ontem, aos 91 anos. Jerry Lewis era comediante, ator, argumentista, cantor e realizador. Considerado o rei da comédia, Lewis influenciou diferentes gerações de comediantes e foi defensor de várias causas humanitárias, entre as quais a distrofia muscular.

  • A insólita entrevista de Jerry Lewis que se tornou viral
    2:39

    Cultura

    Jerry Lewis concedeu no início deste ano uma entrevista insólita que se tornou viral nas redes sociais. O comediante decidiu, pura e simplesmente, não colaborar com o entrevistado. Lewis tinha na altura 90 anos e continuava a trabalhar, tendo participado no filme "Max Rose", em 2016.