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Vice-presidente do partido pró-curdo e de esquerda HDP detida em Ancara

© Umit Bektas / Reuters

A polícia turca prendeu esta segunda-feira,em Ancara, Aysel Tugluk, vice-presidente do Partido Democrático dos Povos (HDP), pró-curdo e de esquerda, e mais oito pessoas, todas acusadas de manter relações com a guerrilha curda do PKK.

Tugluk foi detida na capital turca pela unidade antiterrorista da polícia durante uma rusga às casas de diversos suspeitos, informou a agência noticiosa Anadolu.

Após um primeiro exame médico, a responsável do partido foi enviada para a cidade de Diyarbakir (sudeste do país) cuja procuradoria solicitou a sua prisão no âmbito de uma investigação dirigida ao Congresso da Sociedade Democrática (DTK), um movimento social próximo do HDP, presidido há alguns anos por Tugluk.

Deputada do HDP entre 2011 e 2015, Aysel Tugluk ocupou ainda altos cargos nos partidos pró-curdos que antecederam esta formação.

Nos últimos anos foi condenada a pesadas penas de prisão, com recursos para o Supremo tribunal, por supostamente propagandear em comícios políticos o Partidos dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, a guerrilha curda), considerada organização terrorista pela Turquia, União Europeia e Estados Unidos.

Entre os restantes oito detidos inclui-se outro antigo alto responsável do DTK em dirigente regional do HDP em Diyarbakir.

Doze deputados do HDP, terceira força no parlamento de Ancara, permanecem em prisão preventiva desde novembro, acusados de "vínculos com uma organização terrorista", numa referência ao PKK.

Em paralelo, um responsável da cantina do Cumhuriyet, um diário turco da oposição, foi esta segunda-feira enviado para a prisão por "injúria ao chefe de Estado" após ter referido que recusaria servir chá ao Presidente Recep Tayyip Erdogan, informou esta segunda-feira o jornal.

Senal Buran foi colocado no domingo em prisão preventiva, precisou o Cumhuriyet, uma publicação muito crítica face ao líder turco e com o seu proprietário, chefe de redação e diversos jornalistas já detidos desde o mês passado.

Buran foi acusado de proferir afirmações insultuosas dirigidas ao Presidente turco, e segundo o diário terá sido denunciado por um polícia que garante a segurança da sede do Cumhuriyet em Istambul.

Desde a eleição de Erdogan para a chefia do Estado em 2014 já foram desencadeados 2.000 processos judiciais na Turquia dirigidos a artistas, jornalistas ou simples cidadãos, indiciados por ofensas ao Presidente e que arriscam até quatro anos de detenção.

Lusa

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