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Líder da Renamo anuncia uma semana de trégua em Moçambique

Patrulha de militares em Gorongosa, centro de Moçambique.

© Grant Neuenburg / Reuters (Arquivo)

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, anunciou hoje uma trégua de uma semana em Moçambique, com efeito a partir de quarta-feira, como "gesto de boa vontade", no seguimento de uma conversa telefónica mantida na segunda-feira com o Presidente moçambicano.

"Anuncio a cessação das hostilidades militares a partir das 00:00 de quarta-feira. Em todo o território moçambicano, não haverá ataques entre as forças armadas da Renamo [Resistência Nacional Moçambicana] e as Forças Armadas de Moçambique", afirmou Afonso Dhlakama em declarações por telefone aos jornalistas, reunidos na sede nacional do maior partido de oposição em Maputo.

Segundo Dhlakama, a decisão decorre de uma conversa mantida por telefone na segunda-feira com o chefe de Estado, Filipe Nyusi, "porque os moçambicanos querem passar as festas em paz".

Até quarta-feira, prosseguiu, as forças da Renamo ficarão agrupadas, esperando que, do lado do Governo, suceda o mesmo.

"Do lado da Renamo, posso garantir - já me conhecem, não há nada de propaganda ou de aldrabão -, já foram dadas as ordens às nossas unidades das forças em todas as províncias", declarou.

O líder da Renamo assegurou que, durante a trégua, os moçambicanos poderão circular livremente nas estradas do centro de Moçambique mais afetadas pela crise militar, dando os exemplos dos troços sujeitos a escoltas militares obrigatórias, na Nacional 1, entre Save e Muxúnguè e entre Nhamapadza e Caia, e também entre Tete e Vanduzi e ligação ao Malaui e ainda vários distritos na província da Zambézia.

"Podem andar à vontade", disse Dhlakama, reiterando que "as forças da Renamo irão cumprir com as ordens" e que "ninguém irá atacar nas estradas ou as instituições da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique]".

Dhlakama destacou que mantém o controlo sobre as suas forças e que qualquer ataque que surja durante a trégua não poderá ser atribuído à Renamo.

Justificando esta decisão, quando há menos de uma semana disse em entrevista ao diário O País que não podia assegurar a ausência de ataques durante as festas de Natal, o líder da Renamo referiu que pretende terminar com o sofrimento da população e facilitar a retoma das negociações de paz.

"Se tudo correr bem, sem incidentes, por que não prolongar mais este prazo?", observou o líder da oposição, admitindo a possibilidade de um cessar-fogo definitivo.

Dhlakama assinalou que tem mantido conversas com Nyusi, com o objetivo de "cultivar a confiança", mas não vai ceder na continuação dos mediadores internacionais nas negociações de paz.

No seu discurso do estado da nação, o Presidente moçambicano, disse que propôs à Renamo a criação de um grupo de trabalho especializado, "sem distinção política" nem a presença do atual grupo de mediadores para discutir o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz.

Os trabalhos da comissão mista das delegações do Governo e da Renamo pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização e os mediadores abandonaram Maputo, referindo que só regressarão se forem convocados pelas partes.

Nas declarações hoje à imprensa, Dhlakama salientou que, além das hostilidades militares e dos ataques da Renamo, importa também parar com a vaga de raptos e assassínios contra membros do seu partido.

"Chegámos à conclusão de que temos de experimentar esta trégua", afirmou o líder da Renamo, assinalando porém que, por ser provisória, ainda não sente condições de segurança para abandonar o local onde se encontra, na serra da Gorongosa.

O centro e norte de Moçambique estão a ser assolados pela violência militar, na sequência da recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, exigindo governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança, e o desarmamento do braço armado da oposição e sua reintegração na vida civil.

Lusa

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