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John Kerry avisa que política de colonatos ameaça futuro de Israel

© JAMES LAWLER DUGGAN / Reuters

O ainda secretário de Estado norte-americano, John Kerry, advertiu esta quarta-feira que a construção de colonatos israelitas na Cisjordânia ameaça a esperança de alcançar a paz com os palestinianos, mas também o futuro do próprio país enquanto democracia.

Num discurso em Washington, e a menos de um mês de deixar a administração norte-americana, John Kerry apresentou esta quarta-feira a sua visão para uma solução do conflito de longa data entre israelitas e palestinianos.

O ainda chefe da diplomacia norte-americana chamou a atenção para o facto de Israel estar a seguir um caminho que irá conduzir a uma "ocupação perpétua" das terras palestinianas.

"Hoje, há o mesmo número de judeus e de palestinianos a viver entre o rio Jordão e o Mar Mediterrâneo", disse Kerry, diante de uma plateia composta por diplomatas, projetando dois possíveis cenários: "Podem escolher viver juntos num Estado, ou podem separar-se em dois Estados".

"Mas aqui está uma realidade fundamental: se a escolha é um Estado, Israel pode ser judeu ou democrático -- não pode ser ambos -- e nunca estará realmente em paz", salientou.

"Como Israel pode conciliar a sua ocupação perpétua com os seus ideais democráticos?", acrescentou.

Nestes últimos dias da administração de Barack Obama, e numa altura em que governo israelita reagiu de forma hostil à recente resolução do Conselho de Segurança da ONU a exigir a suspensão da política de colonatos (aprovada com a abstenção de Washington), John Kerry quis mostrar o seu empenho político com o processo de paz para o Médio Oriente.

O ainda secretário de Estado norte-americano reafirmou que a solução de dois Estados é "a única via possível para conseguir uma paz justa e duradoura entre israelitas e palestinianos".

Mas esta solução está "em grande perigo", frisou Kerry, que deixará funções a 20 de janeiro.

Na sua intervenção, John Kerry exortou israelitas e palestinianos a viverem em dois Estados separados com base no traçado fronteiriço de 1967 -- antes da guerra dos Seis Dias -- e considerou que Jerusalém deveria ser a capital dos dois Estados.

Kerry indicou que uma "troca de territórios equivalentes" poderia ocorrer para modificar fronteiras, mas só com o mútuo consentimento.

Argumentou ainda que Jerusalém devia ser reconhecida como a capital dos dois Estados e aqueles países que não reconhecem Israel como o Estado judeu deviam o fazer.

"Compete aos israelitas e aos palestinianos fazerem as escolhas difíceis para a paz, mas todos nós podemos ajudar", frisou o ainda chefe da diplomacia norte-americana.

Donald Trump, vencedor das eleições do passado dia 08 de novembro, e que será empossado Presidente dos Estados Unidos a 20 de janeiro de 2017, criticou severamente a posição dos Estados Unidos na recente votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os Estados Unidos abstiveram-se na votação da resolução, posição que gerou controvérsia e a ira de Telavive, uma vez que Israel sempre contou com o apoio de Washington neste dossiê sensível. A posição norte-americana, que aconteceu pela primeira vez desde 1979, permitiu a adoção da resolução, aprovada pelos outros 14 membros do Conselho de Segurança.

"Não podemos continuar a deixar que Israel seja tratado com um total desprezo e com tal desrespeito", escreveu na rede social Twitter o Presidente dos Estados Unidos eleito.

"Estavam habituados a ter um grande amigo nos Estados Unidos, mas já não é o caso. O início do fim foi aquele acordo horrível com o Irão (sobre o programa nuclear iraniano) e agora (na ONU)! Mantenha-se forte Israel, o dia 20 de janeiro está próximo", acrescentou Trump.

Lusa

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