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República Checa vai inaugurar unidade especial contra notícias falsas

© David W Cerny / Reuters

A República Checa vai inaugurar no início de 2017 uma unidade especial de peritos, no âmbito do ministério do Interior, para combater a desinformação e as notícias falsas que parecem, na maioria, proceder da Rússia.

"A ideia é alertar a sociedade sobre informações que não assentam na verdade e põem em perigo a segurança interna do país", explicou a diretora da nova unidade, Eva Romancovova, numa entrevista publicada esta quarta-feira no diário Hospodarské Noviny.

O nome da nova unidade é "Centro contra o Terrorismo e Ameaças Híbridas" e os seus 15 especialistas vão verificar a autenticidade de mensagens difundidas nas redes sociais ou em portais da internet pouco conhecidos.

Esta iniciativa é uma resposta do Governo checo aos crescentes receios de uma possível ingerência de potências estrangeiras, sobretudo da Rússia, nas eleições legislativas marcadas para outubro próximo.

A República Checa não é o único país europeu que suspeita de que a Rússia poderá tentar influenciar umas eleições: também na vizinha Alemanha, o Governo teme uma campanha russa de desinformação nas eleições gerais de 2017.

Até a União Europeia (UE) tem uma rede própria (euvsdisinfo-eu) e várias contas nas redes sociais Twitter e Facebook para denunciar campanhas russas de desinformação.

Em declarações recentes, o ministro do Interior checo, o social-democrata Milan Chovanec, sublinhou que a difusão de informações falsas "põe em perigo a estabilidade e a segurança da sociedade checa".

Segundo o ministro, o resultado desta propaganda é que uma parte da opinião pública checa acredita que os Estados Unidos estão por detrás da crise de refugiados e tem dúvidas quanto à defesa coletiva da NATO.

O perigoso alcance das notícias falsas, divulgadas através das redes sociais ou de certas páginas da internet, viu-se na semana passada, quando um ministro paquistanês ameaçou Israel de ataque nuclear por causa de uma suposta notícias que afinal fora inventada.

Apesar de tudo, a iniciativa de criar uma agência contra as notícias falsas conta também com alguns críticos.

O Presidente checo, o social-democrata Milos Zeman, expressou esta semana o receio de que a nova unidade contra a desinformação se transforme em censor, como na era comunista.

"Se vamos continuar a viver numa sociedade livre e democrática, não precisamos de censura, não precisamos de uma polícia das ideias", defendeu o chefe de Estado checo, conhecido pelas suas posições favoráveis à Rússia e críticas da UE.

"Lamentamos, mas está a colocar-nos na posição que devemos desempenhar: a de desmentir informação que é falsa", respondeu Eva Romancovova.

Lusa

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