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Jornalista turco detido por mensagens nas redes sociais

© Murad Sezer / Reuters

O jornalista de investigação turco Ahmet Sik foi detido esta quinta-feira pela polícia, devido ao conteúdo das mensagens que tem publicado nas redes sociais, anunciou o próprio.

Na sua conta na rede social Twitter, Ahmet Sik escreveu ontem à noite: "Estou a ser detido, vão levar-me ao procurador por um tweet."

A detenção foi igualmente noticiada pela agência de notícias estatal Anadolu, segundo a qual o jornalista foi detido sob acusações de ter insultado o Estado, os militares e a polícia e de ter feito propaganda terrorista.

Autor de vários livros e membro do Sindicato dos Jornalistas turco, Ahmet Sik foi detido durante um ano, em 2011-2012, a propósito de uma obra sobre o movimento liderado pelo líder islâmico Fethullah Gülen, na altura apreendida e banida pelas autoridades.

A detenção de Ahmet Sik acontece na altura em que o romancista Asli Erdogan e outros trabalhadores de um jornal pró-curdo estão prestes a ser julgados em tribunal sob acusações de apoio aos rebeldes curdos, considerados terroristas pelo regime de Ancara.

A perseguição e detenção de jornalistas, escritores e outros intelectuais tem sido uma constante na Turquia, desde a fracassada tentativa de golpe de Estado registada em julho.

Nos últimos seis meses, as autoridades turcas detiveram 1.656 pessoas por alegado apoio a organizações terroristas e insultos às autoridades nas redes sociais. Outras dez mil pessoas estão a ser investigadas pelas mesmas acusações, segundo dados do próprio governo.

A situação na Turquia foi considerada pela organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras como responsável pelo aumento do número de jornalistas presos em 2016, mais 22 por cento do que em 2015.

O balanço anual da organização, divulgado no dia 13, refere que, desde julho, o número de jornalistas presos quadruplicou na Turquia, atualmente "a maior prisão para jornalistas profissionais" do mundo.

"Em geral, basta fazer uma crítica ao poder ou ter certa empatia com o movimento [do religioso Fethullah] Gullen ou com o movimento político curdo para um jornalista ser enviado para a prisão, sem que a Justiça considere necessário provar o seu envolvimento em atividades criminosas", denunciaram os Repórteres Sem Fronteiras.

Lusa

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