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"Acho que foi a Rússia"

© Carlos Barria / Reuters

O próximo presidente dos EUA, Donald J. Trump, disse esta quarta-feira numa conferência de imprensa em Nova Iorque que acredita que a Rússia esteve por trás das fugas de informação do Comité Nacional Democrata.

"Acho que foi a Rússia, mas também somos 'hacked' por outros países e outras pessoas. O Comité Nacional Democrata estava completamente aberto a ser 'hacked'. Fizeram um muito mau trabalho", disse.

A conferência de imprensa, que aconteceu na Torre Trump na Quinta Avenida, foi a primeira do Presidente eleito desde julho, quando ainda era o candidato presidencial dos republicanos.

"Se Putin gosta de Donald Trump, adivinhem, isso chama-se uma vantagem e não um defeito", explicou, questionado porque é que não tinha sido alvo dos mesmos ataques.

"Eu 'twittei' que não tenho relações com a Rússia. Não tenho negócios na Rússia. Não tenho negócios na Rússia porque nos mantivémos longe. E não tenho nenhuns empréstimos na Rússia. Como empresário de imobiliário, tenho muito, muito pouca dívida", disse.

A CNN, o Washington Post e o New York Times, entre outros, publicaram na terça-feira notícias citando um relatório dos serviços de informações dos EUA segundo o qual a Rússia tem informação comprometedora suficiente para "chantagear" Donald Trump.

Trump chamou as notícias de "uma desgraça" e criticou os órgãos de informação CNN e Buzzfeed por publicarem o relatório integralmente.

Ainda sobre a Rússia, disse que Putin não "devia estar a fazê-lo [espionagem eletrónica a organizações americanas] e não o vai fazer."

"A Rússia vai ter muito mais respeito pelo nosso país quando o estiver a liderar do que quando outras pessoas o lideraram", disse.

Sobre a reforma do sistema nacional de saúde conhecida por Obamacare, que assegura cuidados de saúde a mais de 20 milhões de pessoas, Trump disse que "é um completo e total desastre" e que "está a implodir."

O republicano acrescentou que Obamacare "era um problema dos democratas" e que lhes estava "a fazer um grande favor" ao revogar a lei.

Trump explicou ainda que revogar o sistema de saúde e a aprovação de um substituto acontecerá "essencialmente em simultâneo".

O responsável disse também que não vai esperar pela negociação com o México para construir a muralha na fronteira com o país, uma das suas grandes promessas de campanha, e que por isso vai avançar com a sua construção de imediato, mas que o o vizinho do sul "vai devolver" o custo da obra, nem que seja "através de um imposto".

Uma advogada de Donald Trump explicou durante a conferência de imprensa que o empresário vai abdicar de todos os cargos na sua empresa, bem como a sua filha, para evitar conflitos de interesses e que a organização será gerida por dois dos seus filhos, Don e Eric Trump.

A advogada explicou também que qualquer contribuição de um governo estrangeiro para os hotéis da sua marca serão doados ao tesouro norte-americano, uma vez mais para evitar conflitos de interesses.

Os jornalistas perguntaram também se Trump iria mostrar a sua declaração de impostos, mas Trump repetiu que continua sob investigação do serviço norte-americano de impostos, IRS, e que o tema não é importante.

"Os únicos que se preocupam com a minha declaração de impostos são os jornalistas", disse, acrescentando que a prova desse facto é que tinha ganho a eleição.

Donald J. Trump toma posse como Presidente dos EUA no próximo dia 20 de janeiro.

Lusa

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