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Morreu a jornalista que noticiou em primeira mão o início da II Guerra Mundial

Morreu a jornalista que noticiou em primeira mão o início da II Guerra Mundial

A repórter de guerra britânica Clare Hollingworth, que foi a primeira a noticiar a invasão da Polónia pela Alemanha, em 1939, morre aos 105 anos, em Hong Kong, onde vivia há mais de 30 anos.


"É com tristeza que anunciamos que, após uma carreira ilustre que se estendeu por um século de acontecimentos, a repórter de guerra Clare Hollingworth morreu esta tarde em Hong Kong", anunciou a sua família, num comunicado divulgado na rede social Facebook.

A jornalista fez a cobertura de diversos cenários de guerra do século XX, do Vietname à Argélia, passando pelo Médio Oriente, Índia, Paquistão e China durante a Revolução Cultural, mas destacou-se antes de tudo pela notícia que fez manchete em 1939, em vésperas da Segunda Guerra Mundial, quando ela era uma principiante.

Aos 27 anos, Clare estava há uma semana a trabalhar na Polónia para o Daily Telegraph quando foi a primeira a anunciar a invasão alemã.

Utilizando a viatura de um diplomata britânico para atravessar a fronteira germano-polaca, a jornalista com falsos ares de Mata Hari viu centenas de tanques alemães e veículos blindados a postos para invadir a Polónia.

Três dias depois, a 01 de setembro, despertada pelo barulho dos aviões nazis sobre Katowice, cidade polaca próxima da fronteira, a repórter telefonou para a embaixada britânica em Varsóvia para anunciar o início da guerra.

Como os seus interlocutores não a estavam a levar a sério, ela estendeu o auscultador para fora da janela para que ouvissem o ruído dos tanques nazis a entrar na cidade.

"Se houver uma guerra e se o mundo quiser, eu adoraria fazer a cobertura", dizia Clare Hollingworth ainda em 2009, à agência de notícias francesa AFP.

A jornalista foi também a autora da notícia da deserção do agente duplo britânico Kim Philby para a União Soviética, em 1963.

"Adoro a ação, adoro estar a bordo de um avião que está a bombardear ou estar em terra, no deserto, quando um exército avança", gostava de contar.

Em 1946, escapou por pouco, com o marido, à explosão do hotel King David, em Jerusalém, que fez 91 mortos.

A sua carreira transformou-a num modelo para toda uma geração de repórteres de guerra.

Nascida em 1911, esta mulher que correu mundo casou duas vezes e não teve filhos.

Em outubro do ano passado, apesar da saúde debilitada, festejou como sempre o seu aniversário no Clube dos Correspondentes da Imprensa em Hong Kong, de que ela era 'habituée' desde que se instalou definitivamente naquela cidade, em 1981, depois de ter trabalhado como correspondente em Pequim.


Com Lusa

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