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Greenpeace pede à UE que proíba uso dos pesticidas que afetam abelhas

© Vasily Fedosenko / Reuters

A organização ambientalista Greenpeace pediu esta sexta-feira à Comissão Europeia (CE) que proíba totalmente a utilização dos pesticidas neonicotinóides, responsáveis por alterar as populações de abelhas e outros polinizadores.

Num relatório divulgado hoje em Bruxelas, a Greenpeace insta o Executivo comunitário a estender a proibição destes pesticidas, muito utilizados na agricultura intensiva no norte da Europa, além da decisão adotada em 2013 pela CE, que restringia o seu uso a três variantes: clotianidina, imidacloprid e tiametoxam.

O perito da organização e um dos responsáveis pelo relatório, Dave Goulson, solicitou à Comissão Europeia para "estender" a restrição comunitária atual, dada a "evidência" da propagação deste dano ao meio ambiente.

"Além das abelhas, os neonicotinóides podem estar ligados ao declínio da queda da população de borboletas, pássaros e insetos aquáticos", argumentou.

O porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Enrico Brivio, disse hoje que as "todas as restrições" de 2013 "estão em vigor", e anunciou, para este ano, um debate da comissão técnica do Executivo com todos os Estados Membros, em que a instituição "decidirá como proceder", tendo como base o relatório.

As restrições de 2013 foram baseadas numa série de avaliações da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), segundo as quais estes pesticidas foram prejudiciais para as abelhas.

Enrico Brívio defendeu que na UE "a proteção das abelhas é levada muito a sério" e avançou que está a aguardar uma nova avaliação da EFSA, que deverá ser divulgada no outono.

A Greenpeace alega que estes pesticidas prejudicam as populações de abelhas, abelhões, borboletas e insetos aquáticos, e têm "possíveis efeitos de propagação" na cadeia alimentar.

O responsável pela agricultura na organização ecologista, Marco Contiero, afirmou, por seu turno, que "a ciência mostra que estes pesticidas estão omnipresentes" não apenas em campos agrícolas, mas também no meio ambiente.

O relatório afirma que, desde a aprovação das restrições em 2013, tem havido descobertas científicas que revelam riscos de migração de neonicotinóides e a sua persistência em solos agrícolas, canais e parte de vegetação não agrícola. O documento também inclui estudos que associam o uso de neonicotinóides na agricultura ao declínio da população de borboletas, abelhas e outras aves insetívoras em três países da UE. Os autores do relatório defendem a realização urgente de um debate sobre os riscos do uso destes pesticidas em áreas não agrícolas.

Os neonicotinóides são maioritariamente usados em sementes plantadas por agricultores e conseguem chegar ao néctar e ao pólen durante a floração. O químico age no sistema nervoso central dos insetos interferindo com a transmissão de estímulos. Os neonicotinóides, podem deixar as abelhas desorientadas, impedindo-as de voltar às suas colmeias e diminui a resistência a doenças bem como a fertilidade.

Lusa

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