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Aviões nigerianos sobrevoam Gâmbia enquanto Jammeh recusa ceder poder

© Thierry Gouegnon / Reuters

A força aérea nigeriana realizou esta quinta-feira voos de reconhecimento sobre a capital da Gâmbia, enquanto o Presidente gambiano eleito, Adama Barrow, prestava juramento no Senegal e o Presidente cessante, Yahya Jammeh, continuava a recusar abandonar o poder.

"A nossa força aérea está neste momento a sobrevoar a Gâmbia", confirmou à agência France Presse o porta-voz do Exército do Ar nigeriano, Ayodele Famuyiwa, acrescentando que os aparelhos envolvidos "têm capacidade de atacar" caso Yahya Jammeh não ceda a Presidência a Barrow.

O mesmo porta-voz disse acreditar "que (Jammeh) está prestes a rever a sua posição. Ele pode retirar-se", mas sublinhou que as tropas nigerianas "estão prontas e estão lá para fazer cumprir o mandato" da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Várias testemunhas, incluindo um jornalista da AFP, ouviram - esta quinta-feira à tarde - vários aviões a sobrevoar Banjul.

A CEDEAO já avisou várias vezes que recorrerá - em último recurso - ao uso da força militar caso Jammeh se recuse a abandonar o cargo.

Já o novo Presidente da Gâmbia, Adama Barrow, apelou hoje ao Exército do seu país para que mostre lealdade e não ofereça resistência perante uma possível intervenção da coligação da CEDEAO.

Esta foi a primeira indicação de Barrow, segundos depois de prestar juramento - cerca das 17:00 - como Presidente na embaixada da Gâmbia em Dacar, cidade na qual permanece refugiado desde há dias por motivos de segurança.

Yahya Jammeh chegou ao poder através de um golpe de Estado em 1994 e é acusado de graves violações dos direitos humanos, entre as quais detenções arbitrárias, tortura e assassínio de opositores no pequeno país de 1,9 milhões de habitantes.

Inicialmente, aceitou a derrota no escrutínio de 1 de dezembro e felicitou publicamente o vencedor, Adama Barrow, candidato da oposição coligada, mas depois mudou de ideias, ordenando ao exército que invadisse a sede da comissão eleitoral e contestando os resultados eleitorais junto do Supremo Tribunal.

Há dois dias, Jammeh decretou o estado de emergência na Gâmbia, inviabilizando a tomada de posse de Barrow.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) fez um ultimato a Jammeh para que cedesse o poder a Barrow até às 00:00 desta quinta-feira, acrescentando que uma força militar - sob o comando do Senegal - está pronta para intervir.

O Senegal é o único país que partilha fronteira terrestre com a Gâmbia (o Senegal praticamente envolve a Gâmbia, com a exceção da costa).

Dacar mantém relações tensas com a Gâmbia, país para o qual enviou tropas durante um golpe de Estado em 1981.

A CEDEAO enviou tropas para a Libéria e para a Serra Leoa durante as guerras civis naqueles países na década de 1990, estabelecendo um precedente para eventuais futuras intervenções.

Por causa da crise, centenas de gambianos já começaram a abandonar o país em direção ao Senegal e à Guiné-Bissau.A Nigéria - potência militar regional - deslocou 200 militares da Força Aérea para o Senegal, bem como vários aparelhos: caças, aviões de transporte, helicópteros ligeiros e aparelhos de vigilância e recolha de informações táticas.

Lusa

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