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Outras democracias têm de defender direitos humanos na era de Trump

Os Estados Unidos sob a Presidência de Donald Trump parecem dispostos a renunciar ao seu papel de defensores internacionais dos Direitos Humanos, considerou esta quarta-feira a organização Human Rights Watch, exortando outras democracias a assumirem esta função.

"Estou muito preocupado com a possibilidade de perdermos a voz dos EUA como um defensor dos Direitos Humanos em todo o mundo", disse Kenneth Roth, diretor executivo da HRW, aos jornalistas, em Genebra.

Isto, alertou, pode ter terríveis consequências num mundo onde Washington tem sido há muito "uma voz importante para a sociedade civil, para o espaço cívico em muitos países".Roth disse ainda temer que determinados governos sejam tentados a "aproveitar a oportunidade da chegada de Trump para reprimir a dissidência".

O diretor executivo da organização de defesa dos Direitos Humanos com sede em Nova Iorque condenou várias medidas anunciadas desde que Donald Trump assumiu funções, incluindo as planeadas restrições a refugiados, vistos e imigração, e um decreto que impede o financiamento federal de qualquer organização não-governamental estrangeira que apoie o aborto.

"Isto não é um bom presságio para a liderança norte-americana em direitos humanos", disse, insistindo que "haverá uma necessidade urgente de outros governos na linha da frente".Os Estados da Europa ocidental não conseguirão carregar esse fardo sozinhos, considerou Roth, salientando a necessidade de os países democráticos em todo o mundo trabalharem em conjunto.

"Sem um verdadeiro compromisso mundial com os valores dos Direitos Humanos de todas as nações onde há, pelo menos internamente, um compromisso com esses valores, temo que este aumento global do populismo vá enfraquecer alguns dos pilares sobre os quais as Nações Unidos foram construídas", disse Roth.

Lusa

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