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Agências governamentais abrem contas alternativas no Twitter contra Trump

© Jonathan Ernst / Reuters

Preocupados com o futuro da ciência, funcionários de mais de uma dezenas de agências governamentais norte-americanas abriram contas alternativas no Twitter para mostrar o seu desagrado perante as medidas de Donald Trump. Em causa está a tentativa de acabar com a investigação científica e com os compromissos de Obama em relação às alterações climáticas.

Isto acontece depois de os funcionários de várias agências ambientais norte-americanas serem proibidos pela administração Trump de falar com a imprensa, de fazerem atualizações das redes sociais e de fecharem qualquer novo contrato ou subsídio.

Incluídas nestas contas alternativas, estão a Agência de Proteção Ambiental, a NASA e o Serviço Nacional de Parques. Como diz a descrição de cada uma, estas são contas da "Resistência" e "não oficiais", que pediram emprestado o nome e os logotipos das agências verdadeiras, de modo a protestar contra as restrições impostas pela Casa Branca.

"Mal posso esperar que o Presidente Trump nos chame de NOTÍCIAS FALSAS", um funcionário anónimo do Serviço Nacional de Parques publicou na conta de Twitter. "Podes tirar-nos a nossa conta oficial do Twitter, mas nunca vais poder tirar o nosso tempo livre!"

Já a conta @RogueNASA apresentou uma descrição em que diz aos seus leitores para seguirem a página se quiserem saber "as notícias e os factos do clima e da ciência. NOTÍCIAS VERDADEIRAS, FACTOS VERDADEIROS".

A conta apela aos seus leitores para resistirem às notícias falsas, aos factos alternativos e ao ceticismo do clima e defende ainda que "não pode permitir que Trump silencie a comunidade científica".

"A nova administração da Agência de Proteção Ambiental pediu que todos os contratos e subvenções sejam temporariamente suspensos com efeito imediato. Até recebermos mais esclarecimentos, isso incluiu ordens de trabalho e atribuição de trabalho", declarou uma das diretoras da agência à imprensa.

E-mails enviados aos funcionários da Agência desde a tomada de posse de Trump especificam as proibições, com vetos detalhados a comunicados de imprensa, atualizações de blogs ou publicações da agência nas redes sociais.

O movimento de resistência começou na terça-feira, com um funcionário do Parque Nacional Badlands na Dakota do Sul, que publicou vários tweets sobre as alterações climáticas. Mais tarde, estes mesmos tweets acabaram por desaparecer da conta.

Entretanto, um oficial do parque veio confirmar que os tweets foram escritos por alguém que "já não tem acesso à conta oficial" e que esta agora só iria publicar informações de segurança sobre o parque, de modo a "evitar problemas".

Horas após esta situação, começaram a surgir as contas alternativas e, até ao momento, foram feitas 14 novas páginas.

Aos funcionários das agências ambientais norte-americanas juntaram-se outras contas alternativas, originadas de várias agências da ciência e da saúde, como a Food and Drug Administration (Administração da Alimentação e Medicação), o Instituto Nacional de Saúde, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças e o Serviço Nacional de Saúde.

Muitas das mensagens destas páginas alternativas defendem a resistência, com o hashtag #resistance ou #resist. Até ao momento, têm conseguido angariar centenas de milhares de seguidores.

Como as contas são privadas, não podem ser controladas pelo Governo.

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