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Viver no espaço altera os genes, revela estudo da NASA sobre gémeos astronautas

Mark, à esquerda, ficou em Terra, Scott esteve 340 dias no espaço.

NASA

Os primeiros resultados do estudo que a NASA está a realizar com os gémeos astronautas revelam que há alterações genéticas no organismo do astronauta que viveu durante um ano no espaço.

Em março de 2016, Scott Kelly regressou à Terra após 340 dias a viver na órbita terrestre, a bordo da Estação Espacial Internacional. A par do cosmonauta russo Mikhail Kornienko, bateram o recorde da mais longa estadia no espaço.

A sua missão era sobretudo avaliar os efeitos fisiológicos e psicológicos de tão prolongada saída da Terra, com vista à preparação de uma viagem até Marte. Para um ser humano chegar ao planeta vermelho são precisos nove meses, mas uma viagem de ida e volta demorará 500 dias.

Scott Kelly foi o objeto da experiência mais interessante para os cientistas uma vez que em Terra ficou o seu irmão gémeo, Mark, também astronauta, mas já na reforma.

Ambos têm exatamente o mesmo perfil genético, ocasião única para estudar eventuais disparidades na expressão dos genes - causadas pelas radiações ou pela micro-gravidade. Mark, o gémeo terrestre, realizou os mesmos testes que o seu irmão "espacial".

Os resultados preliminares deste estudo começam agora a ser divulgados, mas foram tantos os testes e as experiências realizados que vão demorar alguns anos até se terem as conclusões finais. A revista Nature publicou um resumo das primeiras conclusões dos peritos, já discutidas numa conferência a 26 de janeiro.

© Handout . / Reuters

Scott esteve 340 dias ininterruptos no espaço entre 2015 e 2016, mas no total já esteve 520 dias. Mark esteve no espaço 54 dias em quatro missões do vaivém espacial entre 2001 e 2011.

"Foram observadas diferenças entre os dois gémeos", refere o geneticista Christopher Mason, do Weill Cornell Medical College em Nova Iorque. Essas diferenças situam-se ao nível da expressão dos genes, da metilação (modificação química) de certos grupos de ADN e outros parâmetros biológicos. Tudo junto parece indicar que há uma reação do organismo perante um stress intenso - neste caso, a viagem espacial, referem os cientistas.

Houve, já se sabe, alterações que no entanto foram revertidas, como foi o caso de Scott Kelly ter crescido 3,81 centímetros, mas depois de regressa à Terra voltou à altura que tinha.

Os gémeos Scott e Mark Kelly vão continuar a ser avaliados durante quatro anos. Mas a NASA espera poder realizar outras experiências com outros voluntários e aguarda a candidatura de mais pares de gémeos para futuros astronautas.

© MAXIM ZMEYEV / Reuters

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