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NATO exige à Rússia que pressione rebeldes do leste da Ucrânia após regresso dos combates

Secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg

© Yves Herman / Reuters

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, exortou hoje a Rússia a utilizar a "sua considerável influência junto dos separatistas pró-russos" no leste da Ucrânia, quando se regista "o mais grave regresso da violência" na região desde há vários meses.

Pelo menos seis pessoas foram hoje mortas na linha da frente no leste do país, no quarto dia de combates entre soldados ucranianos e rebeldes pró-russos, que desde domingo já provocaram pelo menos 19 vítimas.

Estes combates são os mais violentos desde a investidura do Presidente norte-americano Donald Trump, que propõe uma reaproximação à Rússia, acusada por Kiev e a União Europeia (UE) de apoiar os separatistas, uma acusação que continua a ser rejeitada.

Moscovo deve utilizar a sua "considerável influência junto dos rebeldes pró-russos" para restabelecer a trégua assinada no final de dezembro, exigiu Jens Stoltenberg.

Segundo o exército, os confrontos causaram a morte de dois soldados ucranianos, que antes já tinha anunciado uma baixa entre as duas forças.

Os rebeldes referiram-se à morte dois civis perto de Donetsk, bastião dos rebeldes, e em Makeievka, uma pequena localidade vizinha, enquanto a polícia pró-Kiev de Avdiivka declarou que um habitante foi morto por um disparo.

Através da rede social Facebook, o exército de Kiev acusou os rebeldes de terem conduzido diversos ataques contra as suas posições em Avdiivka durante a noite e hoje de manhã, utilizando granadas, metralhadoras e lança-rockets.

"Estão a registar-se disparos agora. É necessário um cessar-fogo para começar os trabalhos de reconstrução", declarou na rede social Twitter a missão da OSCE, cujo chefe-adjunto Alexander Hug se deslocou a Donetsk.

Para além de ter implicado uma reação da NATO, o regresso dos combates provocou inquietação na UE, Estados Unidos e ONU.

A diplomacia de Bruxelas denunciou na noite de terça-feira uma "rutura flagrante do cessar-fogo", em vigor desde dezembro.

Ao exprimir "graves inquietações" perante a evolução da situação, o Conselho de Segurança da ONU adotou uma declaração, redigida por Kiev, que apela a "um regresso imediato ao regime de cessar-fogo".

O Presidente ucraniano Petro Poroshenko, após acusar Moscovo de apoiar os separatistas, prometeu numa mensagem no Twitter continuar "a defender a Ucrânia contra a agressão russa".

O conselheiro do Kremlin, Iuri Ouchakov, respondeu ao considerar que Kiev utiliza os confrontos em Avdiivka como "um meio de pressão sobre Moscovo".

Em paralelo, a Unicef (agência da ONU para a infância) referiu que o recrudescimento dos combates deixou 17.000 pessoas, incluindo 2.500 crianças, sem água, aquecimento e eletricidade em Avdiivka.

Os confrontos de domingo e segunda-feira danificaram o fornecimento de eletricidade e o abastecimento de água à cidade da região de Donetsk, e provocaram interrupções no serviço energético, com temperaturas negativas. O conflito no leste da Ucrânia, que decorre há três anos, provocou cerca de 10.000 mortos e centenas de milhares de refugiados e deslocados.

Lusa


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