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Oposicionista russo crítico do Kremlin internado de urgência por falência súbita de órgãos

IVAN SEKRETAREV

Um político da oposição russa e conhecido crítico do Presidente Vladimir Putin foi esta quinta-feira internado nos cuidados intensivos, depois de uma falência súbita de órgãos, dois anos depois de ter sofrido um envenenamento suspeito, revelaram apoiantes.

Vladimir Kara-Murza estava ligado a um ventilador e a ser objeto de "diálise renal e outros procedimentos de cuidados intensivos", escreveu na rede social Facebook o advogado Vadim Prokhorov, ao fim do dia. Kara-Murza estava em "estado crítico", acrescentou.

Com 35 anos, Kara-Murza era um aliado de outro político oposicionista russo, Boris Nemtsov, que foi abatido a tiro, próximo do Kremlin, em 2015.

Até 2016, Kara-Murza foi vice-presidente do partido liberal Parnas, liderado pelo antigo primeiro-ministro Mikhail Kasyanov, que se tornou crítico de Putin.

Agora, estava a trabalhar como coordenador federal da fundação Rússia Aberta, de Mikhail Khodorkovsky, um ex-oligarca petrolífero que esteve preso uma década depois de se ter oposto abertamente a Putin.

Kara-Murza tinha estado hospitalizado em 2015, tenso então sido diagnosticado com uma súbita falência dos rins em associação com um envenenamento, tendo sido encontrados níveis elevados de metais pesados no seu sangue.

Tinha então solicitado à justiça russa que investigasse se tinha sido envenenado propositadamente, mas não foi aberta qualquer investigação. "Os sintomas são similares na aparência aos de então", disse hoje Prokhorov à agência noticiosa Interfax.

As razões para a doença súbita do ativista não eram claras para os médicos, acrescentou. Inquirido pelo diário Moskovsky Komsomolets sobre se suspeitava de envenenamento, o pai de Kara-Murza respondeu, a partir do hospital, que os doutores "não pensavam isso".

Contrapôs que "o envenenamento de há dois anos não desaparece sem consequências", adiantando: "A saúde do meu filho está enfraquecida".

A doença de Kara-Murza chamou a atenção do senador republicano John McCain, que se declarou "desolado" por saber da hospitalização deste russo, que disse ser seu amigo, e exigiu que os responsáveis fossem levados à Justiça.

Outros senadores, como o também republicano Marco Rubio, estão a tratar a situação como um teste para a presidência Trump, que tem garantido repetidas vezes que quer relações próximas com Putin.

"Insto a administração Trump, incluindo o secretário de Estado Tillerson, para fazerem a causa de Kara-Murza a causa dos EUA, questionarem as autoridades russas sobre isto e no fim responsabilizarem Putin se (Kara-Murza) for atacado pelo regime", afirmou Rubio.

O congressista democrata Steny Hoyer, membro da Câmara dos Representantes, afirmou que "o eventual envenenamento apenas reforça as possibilidades de sanções mais fortes contra a liderança russa".

Os assessores de Trump têm dito que este está a reconsiderar o existente regime de sanções contra a Federação Russa. Kara-Murza adoeceu na manhã de quinta-feira e foi hospitalizado de urgência, disse a sua esposa, Yevgeniya, citada no sítio da Rússia Aberta na internet.

Nesta fundação de Khodorkovsky, Kara-Murza tem desenvolvido projetos como o apoio a um grupo de jovens políticos da oposição durante as eleições parlamentares de 2016.

Em 2016, o dirigente da Chechénia, Ramzan Kadyrov, um lealista do Kremlin, provocou um escândalo ao colocar um vídeo no Instagram em que Kara-Murza e Kasyanov apareciam na mira de um 'sniper'.

Lusa

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