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Human Rights Watch quer investigação de alegados abusos contra ''rohingya''

© Soe Zeya Tun / Reuters

A organização Human Rights Watch (HRW) apelou hoje ao Governo da Birmânia para apoiar uma investigação internacional independente aos alegados abusos das suas forças de segurança contra membros da minoria muçulmana ''rohingya''.

O grupo de defesa dos direitos humanos com sede em Nova Iorque indica num comunicado que soldados e guardas fronteiriços birmaneses participaram em violações coletivas, revistas corporais invasivas e agressões sexuais durante a realização de operações contra rebeldes no estado de Rakhine (oeste) de outubro até meados de dezembro de 2016.

A HRW defende que comandantes militares e da polícia devem ser responsabilizados pelos abusos se não conseguirem travá-los ou punir quem os cometeu.

Estima-se que um milhão de 'rohingyas' sofrem discriminação oficial e social na Birmânia, de maioria budista. A maioria não tem cidadania e são considerados imigrantes ilegais do Bangladesh, ainda que alguns vivam no país há gerações.

"A violência sexual não parece ter sido aleatória ou oportunista, mas parte de um ataque coordenado e sistemático contra os 'rohingya', em parte devido à sua etnia e religião", indica a HRW.
Segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, centenas de 'rohingya' terão sido mortos no oeste da Birmânia depois do lançamento em outubro de uma operação militar contra esta minoria, na sequência de ataques a postos da polícia.

As operações "causaram provavelmente várias centenas de mortos e levaram cerca de 66.000 pessoas a fugir para o Bangladesh e 22.000 outras a deslocarem-se para o interior" da Birmânia, calculou o Alto-Comissário da ONU, Zeid Ra'ad Al Hussein, num relatório divulgado na sexta-feira.

"Os ataques contra a população 'rohingya' na região (assassínios, desaparecimentos forçados, tortura e tratamento desumano, violação e outras formas de violência sexual, detenção arbitrária ...) parecem ter sido largamente generalizados e sistemáticos, indicando que foram provavelmente cometidos crimes contra a humanidade", indica o relatório.

"O Governo da Birmânia deve acabar imediatamente com estas graves violações dos direitos humanos contra o seu povo, em vez de continuar a negar que elas aconteceram, e aceitar a responsabilidade de garantir que as vítimas têm acesso à justiça, a indemnizações e à segurança", declarou Al Hussein num comunicado.

Lusa

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