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Dinamarca quer que UE apoie organizações afetadas por medida contra aborto de Trump

A Dinamarca propôs hoje que a União Europeia (UE) reúna fundos para apoiar as organizações internacionais que realizam abortos ou dão informação sobre essa opção, na sequência da interdição de Donald Trump ao financiamento de ONG internacionais que apoiam o aborto.

Três dias depois de ter tomado posse, Trump reintroduziu nos Estados Unidos a proibição de financiamento público de organizações internacionais que realizam abortos ou dão informação sobre o processo de interrupção voluntária da gravidez.

A ministra para a Ajuda ao Desenvolvimento dinamarquesa, Ulla Toernaes, disse hoje que é precisa "uma aliança de países europeus com interesses semelhantes" e apelou à UE para apoiar estas organizações afetadas pela medida legislativa da administração Trump.

Nesse sentido, a ministra anunciou que a Dinamarca (Estado-membro da UE desde 1973) vai avançar com um montante extra de 75 milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 11 milhões de dólares ou 10,3 milhões de euros) para apoiar tais organizações.

"Esperamos poder reduzir o número de gravidezes não desejadas, de abortos inseguros e de mortes relacionadas com a gravidez e o parto", referiu Ulla Toernaes, citada pela agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP).

Não foram divulgados até ao momento os países eventualmente associados a esta proposta dinamarquesa.

Também não foi clarificado se este apelo vai ao encontro de uma recente proposta do governo da Holanda que, no mês passado, anunciou a criação de um fundo internacional para financiar o acesso ao controlo de natalidade, aborto e educação sexual para mulheres em países em desenvolvimento.

No site, o governo da Holanda afirma: "Não podemos desiludir as mulheres e as raparigas. Elas devem ter o direito de decidir se querem ter filhos, quando querem ter filhos e com quem querem ter filhos".

Na altura, o executivo holandês afirmou que a decisão de Donald Trump deixa um vazio de 600 milhões de euros de apoio financeiro e defendeu que é preciso colmatar tal falha com donativos de cidadãos anónimos, de empresas, organizações ou outras entidades governamentais.

Nessa ocasião, o Canadá fez saber que pretendia contribuir financeiramente para este fundo.

Trump assinou o diploma contra o aborto um dia após o aniversário, a 22 de janeiro, da decisão de 1973 do Supremo Tribunal Roe vs. Wade, que legalizou o aborto nos Estados Unidos.

A ordem executiva de Trump também proíbe o financiamento, com o dinheiro dos contribuintes, de grupos de pressão que pretendem legalizar o aborto ou promovê-lo como método de planeamento familiar.

Esta disposição legal sobre o aborto tem estado no centro de uma espécie de 'ping-pong' político nos Estados Unidos durante as últimas três décadas, tendo sido imposta pelos governos republicanos e revogada pelos democratas desde 1984.

Mais recentemente, foi o antecessor de Trump, Barack Obama, quem pôs fim à proibição em 2009.

De acordo com a associação Marie Stopes, a proibição de financiamento nos Estados Unidos vai resultar no aparecimento de cerca de 6,5 milhões de gravidezes indesejadas e 2,2 milhões de abortos sem condições.

Lusa

  • Com a multiplicação de bons indicadores económicos e financeiros do país, multiplicam-se os elogios ao Governo e declaram-se mortas e enterradas as políticas do passado recente, nomeadamente a da austeridade. Nada mais errado. O que os bons resultados agora alcançados provam definitivamente é que a austeridade resolveu de facto os problemas das contas públicas e, mais do que isso, contribuiu para o crescimento económico que foi garantido por reformas estruturais e pela reorientação do modelo económico.

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