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Sarkozy vai a julgamento por financiamento ilegal da campanha

© POOL New / Reuters

O antigo Presidente francês Nicolas Sarkozy vai ser julgado por suspeitas de financiamento ilegal da campanha eleitoral de 2012.

A convicção do Ministério Público é que Sarkozy terá excedido o limite de gastos com despesas de campanha utilizando, para tal, faturação falsa de uma empresas chamada Bygmalion.

Para além do antigo líder francês, outras 13 pessoas serão julgadas no mesmo caso, incluindo ex-dirigentes do partido. Todos são suspeitos de envolvimento no estabelecimento de um sistema de facturas falsas para financiar o partido.

Sarkozy, que anunciou o fim da sua carreira política em novembro, é acusado de ter conhecimento de que o seu partido teria excedido o limite de gastos permitido por lei, fixado em 22,5 milhões de euros.

De acordo com a fonte citada pela agência France Presse, um dos dois juízes de instrução envolvidos do caso, Serge Tournaire, decidiu no passado dia 3 de fevereiro que o caso deveria ser julgado em tribunal, não obstante os esforços legais de Sarkozy para tentar evitar o julgamento em dezembro último.

A Bygmalion faturou alegadamente 18.5 milhões de euros ao partido de Sarkozy - que na altura se chamava UMP -- União para um Movimento Popular, e desde então alterou o nome para Os Republicanos - em vez de faturar os seus serviços à campanha do então Presidente.

Gestores da empresa reconheceram a existência de fraude e de contabilidade falsa e o julgamento irá focar-se sobre se Sarkozy, ele próprio, tinha conhecimento ou tomou quaisquer decisões sobre o assunto.

Questionado pela polícia em 2015, Sarkozy disse que não se lembrava de alguma vez ter sido alertado para as contas da campanha e descreveu a controvérsia como uma "farsa", atribuindo responsabilidades à Bigmalyon e ao UMP.

Sarkozy viu-se envolvido em várias frentes legais desde que perdeu as eleições para François Hollande em 2012. Depois de uma breve retirada da política a seguir a essa derrota, Sarkozy regressou para assumir a liderança de Os Republicanos e foi com surpresa que o partido o preteriu nas primárias para as eleições presidenciais de abril e maio próximos, escolhendo em novembro último o atual líder em todas as sondagens, François Fillon.

Após o ex-Presidente Jacques Chirac (1995-2007), condenado em 2011 a pena suspensa de dois anos num caso de corrupção, esta é a segunda vez desde 1958 que um ex-chefe o Estado irá a julgamento em França.

Com Lusa

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