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Os sites e aplicações de encontros promovem a igualdade sexual?

As aplicações que promovem encontros amorosos intrigam e fascinam, mas também causam repulsa a alguns. Arena de libertinagem ou progressista e libertador? As opiniões de quem utiliza e de quem estuda o assunto.

"As aplicações ajudaram-me a desdramatizar as relações sexuais", diz Emilie, uma jovem francesa de 30 anos, solteira, inscrita no Tinder, no Happn e AdopteUnMec (adota um rapaz, em tradução livre).

"É a democratização do 'date'" (encontro amoroso), afirma Julie, arquiteta parisiense de 30 anos que, graças às novas tecnologias, diz sentir-se "descomplexada ao procurar um rapaz".

Uma vez que está "disponível em qualquer altura", como salienta Julie, o "engate pode ser feito no trabalho, nos transportes públicos, à noite, em frente à televisão e à vista de toda a agente".

Tinder, match, swipe

Quatro anos depois de ser lançado, o Tinder afirma que foi descarregado 110 milhões de vezes no mundo, mas guarda segredo quanto ao número de utilizadores em cada país - 196 no total.

Novas palavras entraram no vocabulário: Tinder tornou-se sinónimo de encontro, "match" - correspondência entre dois potenciais parceiros - "swipe" para aceitar ou recusar.

Sexo casual por mútuo consentimento

"Tudo isto normaliza o saltitar de namoro em namoro e favorece um comportamento consumista: as pessoas são utilizadas como um lenço descartável. Isto pode ser violento", alerta por seu lado Stéphane Rose, autor do livro "misère-sexuelle.com, le livre noir des sites de rencontres" - o livro negro dos sites de encontros.

Estas aplicações são acusadas de fazer a apologia do sexo casual, mas os utilizadores afirmam que não têm necessariamente esse único fim. "Eu nem sou muito de 'one-night-stand' (encontro de uma noite). Tal como acontece na vida real, é preciso um golpe de sorte para se ficar apaixonado", lembra Julie.

Em defesa do site Happn, Claire Certain do gabinete de comunicação lembra que as pessoas têm que se encontrar na vida real depois da correspondência virtual. "As pessoas tomam primeiro um café. O Happn não promete sexo".

Além da disponibilidade, as aplicações oferecem discrição. "Estes serviços permitem o encontro entre pessoas de círculos sociais diferentes. Encontros que trazem menos consequências", refere a socióloga Marie Bergström à agência France Press.

Igualdade entre sexos

Quando as mulheres podem contar as suas histórias sem amanhã tal como os homens, a igualdade entre os sexos ganhou algum terreno.

Uma corrente feminista defende o direito da mulher à "multiplicação de encontros" e "ao sexo pelo sexo", revela Jean-Claude Kaufmann, autor de Sex@amour.

"Na tua casa ou na minha? É assim que terminam muitos encontros", conta uma utilizadora do Tinder.

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