sicnot

Perfil

Mundo

Cientistas encontram poluentes químicos no oceano profundo

© Mike Blake / Reuters

Poluentes, como químicos proibidos nos anos 70 do século XX, foram encontrados no fundo do mar por cientistas britânicos, que salientam ser uma prova de que estas substâncias persistem no ambiente, mesmo em pontos profundos do oceano.

A investigação "mostra que, longe de estar muito distante, o oceano profundo está ligado às águas superficiais e isso quer dizer que aquilo que deitamos no mar um dia volta, sob uma qualquer forma", disse o cientista Alan Jamieson, coordenador do estudo.

"Ainda pensamos no oceano profundo como sendo um reino remoto e imaculado, protegido do impacto humano, mas o nosso trabalho mostra que, tristemente, isto não podia estar mais longe da verdade", salientou.

O trabalho agora publicado na Nature Ecology & Evolution descobriu a primeira prova de que os poluentes resultantes da atividade humana já chegaram aos recantos mais distantes do planeta, refere uma informação divulgada esta segunda-feira pela Newcastle University.

As amostras recolhidas pelos cientistas "contêm níveis de contaminação semelhantes àqueles encontrados na baía de Suruga, no Japão, uma das zonas industriais mais poluídas do noroeste do Pacífico".

"O que ainda não sabemos é o que isto representa para o ecossistema marinho, nem compreendemos qual será o próximo grande desafio", referiu ainda Alan Jamieson.

Nas amostras de anfípodes (pequenos crustáceos), recolhidas no Oceano Pacífico, nos vales de Mariana e Kermadec, que têm 10 quilómetros de profundidade e têm uma distância de sete mil quilómetros entre si, a equipa encontrou "níveis extremamente altos de poluentes orgânicos persistentes", como os compostos químicos bifenilos policlorados (PCB) ou os éteres difenílicos polibromados (PBDE), que eram utilizados como isolantes elétricos e retardadores de chama.

Agora, a equipa de cientistas, da Newcastle University, mas também da University of Aberdeen e do The James Hutton Institute, igualmente do Reino Unido, pretendem perceber as consequências desta contaminação e os seus efeitos na vida dos ecossistemas.

Lusa

  • Mais plástico que peixe nos oceanos em 2050

    Mundo

    Ellen MacArthur alerta para o perigo de em 2050 existirem mais resíduos plásticos nos oceanos do que peixes, caso nada se faça para impedir que se continuem a despejar esse tipo de resíduos nas águas do mar. Velejadora experiente com muitas milhas percorridas, tem como poucos um conhecimento profundo dos oceanos e criou uma fundação que se dedica aos estudo de questões ambientais e económicas.

  • Troika nem sempre protegeu os mais vulneráveis, conclui avaliação do FMI

    Economia

    O organismo de avaliação independente do FMI concluiu que as medidas aplicadas pela troika em Portugal nem sempre protegeram as pessoas com menos rendimentos, apontando que a primeira preocupação do Fundo era a redução dos défices, apurou o gabinete independente de avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI),