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Mais de 1,5 milhões de adolescentes não frequentam a escola na Tanzânia 

Mais de 1,5 milhões de adolescentes tanzanianos não frequentam a escola devido a obstáculos como a falta de escolas, um exame que limita o acesso ao secundário e a expulsão de grávidas ou casadas, foi hoje divulgado.

Num relatório, a organização Human Rights Watch (HRW) lamenta que mais de 40% dos adolescentes da Tanzânia fiquem de fora do ensino secundário, "apesar da decisão positiva do governo de tornar gratuita" a frequência do "ensino secundário".

"A abolição das propinas na escola secundária foi um enorme passo para melhorar o acesso ao ensino secundário na Tanzânia (...), mas o governo deve fazer mais para dar resposta à sobrelotação nas salas de aula, à discriminação e abuso que minam a educação de muitos adolescentes", disse Elin Martinez, investigadora sobre os direitos das crianças da HRW e autora do relatório, citada num comunicado da organização.

O relatório "I Had a Dream to Finish School: Barriers to Secondary Education in Tanzania" (Tive um sonho de terminar a escola: Barreiras à instrução secundária na Tanzânia) tem por base entrevistas a mais de 220 estudantes do ensino secundário, adolescentes que não frequentam a escola, pais, especialistas em educação, ativistas locais, parceiros de desenvolvimento e responsáveis da administração local e nacional.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos com sede em Nova Iorque, "a educação tem sido uma prioridade nacional para sucessivos governos tanzanianos desde a independência em 1961" e o executivo destinou à educação 22% do orçamento para 2016-2017.

No entanto, a Tanzânia é um país subdesenvolvido e "tem uma das populações mais jovens do mundo, 43% são menores de 15 anos".

A HRW indica que em algumas áreas rurais os estudantes têm de percorrer até 25 quilómetros para chegar à escola, alguns adolescentes não podem ir às aulas porque não têm dinheiro para o transporte, a farda, livros ou alojamento e muitos não conseguem ultrapassar o desafio do exame de final da primária, que não podem repetir.

"Desde 2012, os resultados do exame afetaram cerca de 1,6 milhões de crianças no acesso ao ensino secundário", refere a organização no comunicado.

Em relação às raparigas acresce a rotineira expulsão das que ficam grávidas, por "ofensas contra a moralidade" -- calcula-se que 8.000 deixam a escola anualmente - e a saída forçada das que são obrigadas a casar antes dos 18 anos, assinala o relatório.Dados do Banco Mundial indicam que menos de um terço das raparigas que entram no ensino secundário consegue conclui-lo.

A HRW pede ao governo para acabar com os testes de gravidez nas escolas e com as expulsões das grávidas ou casadas, bem como para "publicar imediatamente uma circular para que as escolas permitam que as jovens mães continuem o ensino secundário".

A falta de condições para os deficientes, as punições corporais e o assédio sexual às estudantes são outras das questões a tratar para "garantir uma educação ao nível do secundário para todos" com a qual "o governo se tem repetidamente comprometido", considera a HRW.

Lusa