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Merkel insiste na expulsão dos imigrantes clandestinos ao receber homólogo da Tunísia

A chanceler alemã exortou hoje o chefe do Governo da Tunísia a acelerar o regresso ao país de requerentes de asilo com pedidos recusados na Alemanha, uma questão sensível após o atentado em Berlim cometido por um tunisino radicalizado.

"No ano passado, segundo os dados que possuo, 116 cidadãos tunisinos deixaram a Alemanha" após o seu pedido de asilo ter sido recusado, indicou Angela Merkel, no decurso de uma conferência de imprensa conjunta em Berlim.

"Ainda não decorre com a necessária rapidez e discutimos como podemos melhorar este processo e como fazê-lo sem dificuldades", acrescentou.

Antes do encontro com Merkel, o primeiro-ministro tunisino, Youssef Chahed, tinha rejeitado em bloco as solicitações da Alemanha, que acusa Tunes de travar as expulsões -- entre 1.000 e 1.500 processos --, em particular de pessoas com ligações à corrente salafista, um movimento ortodoxo ultraconservador do islamismo sunita.

Berlim tem dirigido o mesmo género de censuras a Marrocos e à Argélia.

A Tunísia é acusada de ter bloqueado em 2016, durante meses, o repatriamento de Anis Amri, o tunisino responsável pela morte de 12 pessoas em 19 de dezembro, quando ao volante de um camião pesado o dirigiu contra quem as pessoas num mercado de Natal em Berlim, num atentado reivindicado pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI).

"As autoridades tunisinas não cometeram qualquer erro", garantiu Youssef Chahed em entrevista publicada na edição de hoje do diário Bild, sugerindo que a Alemanha deve reconhecer as suas responsabilidades.

"Aguardamos provas límpidas por parte das autoridades alemãs de que essa pessoa era de facto tunisina. Os migrantes clandestinos utilizam documentação falsa e atrasam todo o processo", disse, referindo-se ainda a um "número muito restrito" de migrantes que aguardam repatriamento.

As divergências de opinião não impediram os dois chefes de governo de prestarem em conjunto um tributo às 12 pessoas mortas e às dezenas feridas no atentado de 19 de dezembro, ao colocarem rosas brancas no memorial provisório em Berlim.

Há um ano, a Alemanha tinha já denunciado a lentidão das expulsões após a polícia ter estabelecido que a maioria dos autores identificados das centenas de agressões sexuais cometidas na noite de passagem de ano em Colónia era oriunda do norte de África, e em situação irregular.

Ainda na entrevista ao Bild, o primeiro-ministro tunisino também disse 'não' a Merkel sobre a sua sugestão de campos na Tunísia para acolher os migrantes resgatados no decurso da travessia do Mediterrâneo a partir da Líbia, e assim impedir a sua chegada à Europa.

Os dois dirigentes afirmaram não ter abordado hoje este assunto.

Em pleno ano eleitoral, o tema de imigração tornou-se escaldante para a chanceler alemã, atacada inclusive no seu campo conservador pela política de acolhimento dos migrantes em 2015, quando foram solicitados cerca de um milhão de pedidos de asilo.

Lusa


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