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Espanhol vive há 11 dias no aeroporto de Bogotá

© Stringer Thailand / Reuters

Um espanhol vive há 11 dias no aeroporto El Dorado de Bogotá, à espera de conseguir um bilhete de avião que lhe permita regressar a Barcelona - e fugir de um suposto antigo paramilitar que, segundo alega, o ameaçou de morte.

"Estamos no aeroporto por (uma questão de) segurança. As ameaças de morte que recebíamos eram já demasiado graves", afirmou David de la Puente, de 41 anos, em declarações à agência noticiosa espanhola Efe, perto da sala de orações do terminal aéreo, onde se encontra, com a sua companheira colombiana.

O casal, que se instalou num corredor pouco movimentado do terminal de partidas do aeroporto El Dorado, onde mantas e um computador são as únicas posses visíveis, não facultou, contudo, detalhes sobre os motivos pelos quais terá sido alvo de ameaças.

David de la Puente contou que chegou à Colômbia em setembro de 2012 para conhecer pessoalmente a sua atual companheira, a colombiana Gladys Patricia López de 45 anos, que o contactou através do Facebook e pela qual acabaria por se enamorar.

O cidadão espanhol garantiu que pouco depois de chegar à Colômbia lhe roubaram o dinheiro que ia utilizar para regressar a Espanha, acompanhado pela sua mulher, assim que começou a trabalhar na reforma de uma casa e como troca ficou a residir nela.

Foi quando, segundo alegou, o casal decidiu acolher uma jovem e o seu pai, que começaram a assustá-los ao ponto de decidirem pedir à embaixada de Espanha que lhes custeassem os bilhetes de regresso, e perante a dificuldade em obtê-los, optaram por ir para o aeroporto à espera de uma solução para o caso.

Fontes diplomáticas indicaram à agência Efe que De La Puente solicitou ajuda para regressar a Espanha e que esse pedido se encontra a ser analisado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.

De acordo com os media locais, o homem que o espanhol acusa de os ter ameaçado é na realidade um taxista, mas De La Puente insiste que este se vangloria de ser um antigo paramilitar.

Segundo argumentou, o homem era "racista" e chamava-o de "ladrão" e as ameaças também afetavam a sua companheira, a qual dizia ser uma "vergonha", porque esteve com um estrangeiro e pedia-lhe que se casasse "com um colombiano que lhe ensinasse o seu lugar como mulher".

O suposto agressor, chamado Henry Nelson Pérez, inteirou-se da história que o envolve através dos media locais, razão pela qual se apresentou na terça-feira na polícia para formular uma denúncia por calúnia contra o cidadão espanhol.Pérez relatou que a 26 de dezembro teve uma discussão com o espanhol porque este insultou a sua filha.

De La Puente chamou a polícia, mas, na ausência de agressões físicas, o caso não evoluiu e, por isso, exige que o espanhol se retrate das acusações que fez contra si sobre as supostas ameaças e por o ter qualificado de paramilitar.

De La Puente garante que tem vindo a pedir, desde agosto, à embaixada de Espanha em Bogotá que o repatriem, mas em vão.

"Uma das funcionárias da embaixada disse-me que eu era catalão e que, como tal, tinha que ser a minha família ou o Generalitat (governo regional) a tratar de mim", afirmou, um cenário extremo que fontes diplomáticas negaram, segundo a agência Efe.

Nas suas declarações à agência noticiosa espanhola, De La Puente afirma que a sua situação é insustentável, que, a qualquer momento, podem matá-lo e à sua mulher, e que não tem ninguém em Espanha que se possa encarregar ou tratar do seu regresso.

Lusa

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