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Polícias e soldados cercam templo budista perto de Banguecoque

© Jorge Silva / Reuters

Soldados e polícias cercaram esta quinta-feira um templo budista nos subúrbios de Banguecoque, atingido por um escândalo, na tentativa de prender o seu líder espiritual, depois do primeiro-ministro ter invocado poderes especiais para colocar o lugar sob controlo militar.

Trata-se do mais recente desenvolvimento no âmbito da saga de longa data envolvendo o templo Wat Dhammakaya, de uma ordem budista separatista cujo controverso fundador foi acusado nomeadamente de lavagem de dinheiro e desvio de fundos mas nunca foi presente a tribunal.

Tentativas anteriores de fazer rusgas no complexo religioso foram frustradas depois de milhares de fiéis terem aparecido para defender o monge septuagenário, identificado como Phra Dhammajayo, segundo os media tailandeses.

Suspeita-se que o homem, que não é visto em público há meses, esteja escondido no interior do templo.

O monge é acusado de lavagem de dinheiro e de ter aceitado fundos desviados no valor de 1,2 mil milhões de baht (cerca de 33 milhões de euros) do proprietário de um banco cooperativo que foi entretanto preso.

No início desta quinta-feira, centenas de agentes e militares estavam no local, onde fecharam estradas que levam ao enorme templo, na sequência de uma ordem aprovada repentinamente pelo líder da junta e primeiro-ministro, Prayut Chan-O-Cha.

A ordem invoca poderes especiais, da chamada "secção 44", para colocar a zona sob controlo militar.

"Estamos a montar um cordão em torno do templo e depois vamos fazer buscas em todos os edifícios", afirmou o coronel Paisit Wongmaung, chefe da DSI, o equivalente tailandês ao FBI.

"Se (o monge) pensa que é inocente deve entregar-se e participar no processo judicial", acrescentou.Num comunicado enviado por e-mail, citado pela agência AFP, o templo indica que "4.000 polícias e militares" foram destacados para o local, implantando bloqueios que "proíbem neste momento qualquer pessoa de entrar ou sair" do complexo religioso.

Segundo a agência noticiosa francesa, apoiantes do líder religioso devem estar no interior do templo, ao lado dos monges, dado que podem ser ouvidos mantras no exterior.

Têm sido feitas diversas tentativas, em vão, de persuadir o antigo líder do templo a deixar o complexo.

O templo também é acusado de ter ligações ao antigo-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto no golpe militar de 2006.

O governo da sua irmã Yingluck, que também foi primeira-ministra, também foi alvo de um golpe pelos militares em 2014.

O templo tem uma sofisticada operação de relações públicas, incluindo o seu próprio canal, e acolhe diversos grandes encontros de monges anualmente. Nos últimos 30 anos, o templo Dhammakaya cresceu exponencialmente, angariando dezenas de milhões de dólares.

Lusa

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