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Paris e Berlim pedem a Moscovo apoio para as negociações de Genebra sobre a Síria

Jean-Marc Ayrault e Sigmar Gabriel

© Thilo Schmuelgen / Reuters

França e Alemanha pediram hoje à Rússia para apoiar as negociações entre o regime sírio e a oposição em Genebra e reforçaram que a única solução possível para esta guerra é a política.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros francês e alemão, Jean-Marc Ayrault e Sigmar Gabriel, respetivamente, falaram aos jornalistas após um encontro com representantes de dezenas de países, entre os quais a Rússia, durante a reunião de chefes da diplomacia do G20 (países desenvolvidos e emergentes), que decorre desde quinta-feira em Bona, na Alemanha.

"A opção política é a única" possível na Síria, afirmou Ayrault, que se manifestou convencido de que, sobretudo a Rússia pode ter "um papel construtivo" se levar o Presidente sírio, Bashar al-Assad, à mesa das negociações com a oposição, na próxima semana, em Genebra.

A Rússia e o Irão, acrescentou, podem convencer o regime sírio a não considerar como terroristas todos os diferentes grupos da oposição, o que impossibilita na prática qualquer tipo de diálogo.

Sobre o diálogo político, Ayrault referiu apenas que o objetivo é ter um país unido, estável e em paz, e referiu que a Europa não contribuirá para a reconstrução da Síria após a guerra "com o atual regime".

Por seu lado, o chefe da diplomacia alemã referiu a importância de conseguir o apoio de Moscovo para o processo de Genebra, que, para ser um sucesso, precisa de uma "base sólida de apoio internacional".

Gabriel considerou o processo de Genebra como uma via complementar às conversações sobre a Síria que se estão a realizar em Astana e Nova Iorque nos últimos meses.

O ministro francês referiu que o regime sírio só sobrevive graças ao apoio militar do Irão e da Rússia e que não conseguirá "reconquistar e estabilizar todo o território" do país.

Ayrault considerou ainda que o prolongamento da guerra civil apenas alimenta "o ódio e o ressentimento e reforça o poder dos terroristas, quando a prioridade de todas as partes é acabar com o grupo extremista Estado Islâmico.

Os dois ministros reuniram-se ainda com o seu homólogo norte-americano, Rex Tillerson, mas manifestaram um otimismo cauteloso sobre a vontade da administração Trump em envolver-se na questão síria.

Ayrault considerou que a reunião "foi útil" e que é importante "um diálogo com os Estados Unidos sobre a questão síria e sobre outras questões".

Por seu lado, Gabriel disse que Tillerson "participou vigorosamente" na discussão, que também envolveu responsáveis de Itália, Reino Unido, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Jordânia e União Europeia.

A guerra na Síria começou em 2011 e desde então já morreram mais de 320 mil pessoas, enquanto 10 milhões foram forçadas a sair das suas casas.

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