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Trump pondera usar a Guarda Nacional para deter imigrantes

© Carlos Barria / Reuters

A administração Trump está a considerar a possibilidade de mobilizar até 100 mil militares da Guarda Nacional para apanhar imigrantes ilegais, incluindo milhões que vivem longe da fronteira com o México, segundo um memorando provisório revelado pela Associated Press.

De acordo com a agência de notícias norte-americana, o documento de 11 páginas prevê um reforço de militares no combate à imigração ilegal, desde Portland (no Estado do Oregon) até Nova Orleães, no Louisiana.

Quatro Estados que fazem fronteira com o México estão incluídos na proposta - Califórnia, Arizona, Novo México e Texas - mas também afeta sete Estados contíguos a esses - Oregon, Nevada, Utah, Colorado, Oklahoma, Arkansas e Louisiana - que não constituem fronteira externa.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, disse que a notícia da AP sobre o memorando é "100% não certa" e "irresponsável".

"Não há qualquer esforço, de todo, para utilizar a Guarda Nacional para apanhar imigrantes não autorizados", disse.

Os governadores desses 11 Estados teriam a possibilidade de contribuir com os militares da Guarda Nacional do estado em questão, indica o memorando, escrito pelo Secretário da Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Kelly, um general de quatro estrelas dos Marines (fuzileiros navais) na reserva.

Efetivos da Guarda Nacional já foram utilizados antes em missões anti-imigração ilegal na fronteira com o México.

No entanto, nunca foram usados de forma tão abrangente nem tanto a norte como prevê o memorando

.O uso de tropas da Guarda Nacional nestas funções alargaria grandemente o número de imigrantes visados pela administração Trump na ordem executiva do mês passado, que já alargava a definição de quem pode ser considerado criminoso e, portanto, um alvo potencial para deportação.

O memorando - que faz referência a medidas de Trump como a contratação de mais 5 mil guardas fronteiriços ou a construção de um muro na fronteira com o México - especifica que os militares da Guarda Nacional terão como missão apenas o controlo da imigração, e não como um acrescento às forças policiais locais.

As tropas serão autorizadas "a realizar as funções de agente de imigração no que diz respeito à investigação, apreensão e detenção de estrangeiros nos Estados Unidos" e salienta que estes militares serão autorizados a conduzir buscas e a identificar e deter quaisquer imigrantes não autorizados.

Nunca antes a Guarda Nacional foi autorizada para operar em Estados não fronteiriços desta forma.

No entanto, as tropas da Guarda não seriam nacionalizadas, ficando à mesma sob controlo de cada um dos Estados.Quase metade dos 11,1 milhões de pessoas que residem nos Estados Unidos sem autorização vivem nos 11 Estados visados pelo memorando, de acordo com o Centro de Investigação Pew, que se baseia no censo de 2014.O documento tem a data de 25 de janeiro, mesmo dia em que Trump assinou a polémica ordem executiva sobre imigração e o controlo fronteiriço.

Este tipo de memorandos são muitas vezes feitos como suplementos às próprias ordens executivas.

Lusa

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